Vítor Henriques, chefe do Agrupamento 1346: Eu até já tinha pedido dispensa das funções

Vítor Henriques, chefe do Agrupamento 1346: Eu até já tinha pedido dispensa das funções

No final da Missa foram atribuídas condecorações a dois membros da família escutista: o António Cardoso, que faz parte da Fraternidade de Nuno Álvares e tem-se destacado pela disponibilidade e serviço ao longo de muitos anos, e Vítor Henriques, que é o chefe do Agrupamento da Memória que também fundou. Foi com o Vítor que estivémos à conversa e que, no meio de uma agenda preenchidíssima por ter de fazer o rescaldo das comemorações, se disponibilizou ainda para dar o seu testemunho.

Que avaliação faz do dia de BP?

O Dia de BP foi mais uma demonstração de vitalidade do CNE. Estiveram representados praticamente todos os 34 Agrupamentos da Região. São manifestações desta natureza que nos encorajam e revigoram forças porque nos provam que não estamos sós. Há muitos outros que comungam dos nossos princípios. Para nós este foi um Dia de BP especial. Deu-nos a oportunidade de nos avaliarmos e de pôr à prova as nossas capacidades. Penso que passámos com distinção. Os nossos dirigentes conseguiram contagiar os seus elementos e fazê-los sentir a responsabilidade de fazer um bom trabalho. Os nossos pais foram inexcedíveis na entrega às suas funções. Constituiram-se equipas que se encarregaram das diversas tarefas: a cozinha e os almoços, a preparação do pavilhão, as desmontagens, os bares, a limpeza dos espaços… Os dirigentes ficaram com a logística das inscrições, o grupo coral e o encerramento, as compras e a coordenação geral.

Há 25 anos atrás, aquando da fundação do agrupamento da Memória, sonhava com este dia?

A gente quando põe mãos à obra, numa empresa desta natureza, é sempre dar um tiro no escuro. O meu sonho e dos que me acompanharam era dar uma ocupação diferente aos mais novos. Tratava-se de mexer com a rapaziada e trazê-los um pouco mais para a Igreja.

E como foi fundar um agrupamento? O que o inspirou? quais as maiores dificuldades?

As coisas até nem correram mal. O pároco deu-nos carta branca. Nem se opôs nem nos entusiasmou. Eu já tinha estado à frente de um grupo de teatro a trabalhar com jovens, durante quatro anos, cá na nossa terra.  Nessa altura ainda havia alguma gente nova e as solicitações, na aldeia, não eram muitas. Depois foi havendo renovação e formámos um grupo de jovens ligado à Igreja. Teve o seu tempo de vida e acabou. Foi então que propus a dois dos jovens do grupo fazerem o CIP comigo. Depois foi chamar os miúdos. Fizemos três patrulhas e começámos a trabalhar. Eu, quando era adolescente tinha tido contactos com o escutismo mas estava longe de saber o papel de um dirigente. O facto de profissionalmente trabalhar com crianças ajudou. A integração foi-se fazendo e fomos caminhando, falando com outros escuteiros e participando nas actividades regionais. O grande problema era não termos um espaço para nós. Reuníamos nuns anexos e partilhávamos os locais de encontro com a catequese e com um bar. O número de chefes foi sempre reduzido. Por isso mesmo, estivemos em formação durante dezassete anos. E só legalizámos a nossa situação há pouco tempo. Daí o nosso número tão elevado ao lado de Agrupamentos mais novos. Só temos salas só para nós há quatro anos. Outra dificuldade é estarmos numa terra pequena, com poucas crianças e poucos habitantes. Fomos freguesia apenas em 1985 e paróquia em 1993 (fez também agora 25 anos). Os nossos elementos vêm sobretudo de paróquias vizinhas, das Colmeias principalmente. Por isso, este dia de BP ficou aqui bem. 

Que significa para si a condecoração recebida no Dia de BP diante me mais de 2000 escuteiros?

Esta condecoração foi uma partida dos meus dirigentes. Eu fui apanhado de surpresa. Eles sabem que eu não sou  favorável a estes destaques por dá cá aquela palha. Nunca fiz nada de extraordinário, não fiz nada sozinho. Recebi-a como prémio dado ao Agrupamento e fiz questão de a dedicar aos meus chefes, aos atuais mas também àqueles que estiveram connosco no passado e ultrapassaram os tempos mais difíceis. Hoje somos mais de dez dirigentes, mas durante muito tempo éramos apenas três. Cheguei a acumular duas secções. Ser reconhecido publicamente traz-nos outras responsabilidades. Eu até já tinha pedido dispensa das funções de Chefe de Agrupamento, mas os outros entendem que eu tenho mais vagar para ir a reuniões e fazer outras coisas (a vida de um reformado tem algumas vantagens). Vou ter que continuar enquanto eles entenderem que a minha presença pode ser útil.

Assumir a organização do Dia de BP foi um ponto de chegada, uma meta? E agora, quais são os planos, quer pessoais, no envolvimento com o agrupamento, quer do próprio agrupamento?

Organizar o Dia de BP foi um desafio que eu lancei à minha gente, mas estava um longe de ter a consciência do que esta tarefa implica. É muito trabalho. Mas, graças a Deus, penso que estivemos à altura do desafio. Uma grande vantagem foi termos como dirigente um elemento da Junta Regional que já tinha a experiência do ano passado. Temos também dirigentes ligados à Proteção Civil e outros que têm contactos com os  departamentos regionais. Se formos bem a ver, eu sou dos que menos estou por dentro das grandes actividades. Tivemos pais envolvidos, unidos e corajosos. Contámos com o apoio da autarquia, do Agrupamento de escolas de Colmeias e de empresas e associações das Colmeias. O futuro que nos espera penso não ser diferente do que têm sido os últimos anos. Ficámos com mais conhecimentos, mais experiência, Mas vamos continuar a ter bandos, patrulhas e equipas com um número reduzido de elementos, vamos continuar a ter alguns dirigentes com pouca disponibilidade de tempo. Para mim, pessoalmente, tentarei estar presente para apoiar os meus dirigentes; fazer os recados, marcar reuniões, chamar a atenção para alguns pormenores, ouvir a opinião de todos e gerar consensos. Já não tenho elasticidade mental para potenciar imaginários que se coadunem com as nossas crianças e os nossos jovens. Não consigo pensar em abandonar esta equipa, esta família. Este dia de BP uniu-nos mais ainda.

O escutismo, na sua vida é…

…uma forma de estar ativo na Igreja e de dar a mão a quem precisa, na busca dos ideais que BP nos propôs. É mais uma forma de me realizar, de me sentir útil enquanto cidadão e enquanto cristão. Fico feliz quando penso que, com o escutismo, ajudámos a formar centenas de crianças e jovens. Fico feliz quando, passados anos, alguns que passaram por aqui se chegam junto a mim e confidenciam que o escutismo lhes deu ferramentas para serem mais pessoas. 

E a minha vida no escutismo é…

…um contributo para que o mundo possa ser cada dia um pouco melhor. Sinto-me um irmão mais velho que pode contribuir com o seu conhecimento da vida e aproveitar as vontades e iniciativas, a energia e o vigor dos mais novos.

Paulo Adriano
Paulo Adriano
Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.
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