Procissão multissecular na Quaresma: Passo a passo com Jesus e a Cruz

Procissão multissecular na Quaresma: Passo a passo com Jesus e a Cruz

A Quaresma, tempo de especial vivência espiritual, é marcada por algumas das celebrações mais queridas e participadas pelos cristãos. É o caso da Procissão do Senhor dos Passos, iniciada em Portugal pelos franciscanos no século XVI e que hoje continua a cativar milhares de fiéis.

 

Na preparação para a grande festa da Páscoa, desde sempre a Igreja valorizou o tempo da Quaresma como ocasião propícia para a vivência da fé e da caridade, no horizonte de esperança na ressurreição. Além da liturgia vincadamente penitencial e das pregações que visavam o formação dos fiéis, também os exercícios de piedade mais ligados à religiosidade popular foram surgindo neste contexto.

A Via-Sacra será, por ventura, a mais universal dessas práticas devocionais. Não haverá uma igreja em todo o mundo onde não se realize esta celebração do caminho doloroso de Jesus para o Calvário, por norma em 14 estações, onde os textos, orações e cânticos misturam a meditação bíblica, a atualização da mensagem evangélica para o nosso tempo, e também a estimulação das emoções relacionadas com a comiseração e a identificação com quem sofre a dor e a morte. Tudo isso resulta num exercício de piedade que arrasta centenas e, por vezes, milhares de fiéis, suplantando frequentemente a frequência daquela que deveria ser a festa por excelência, a Páscoa.

Senhor dos Passos

Outra tradição quaresmal secular, baseada no exercício da Via-Sacra, é a Procissão do Senhor dos Passos. São, regra geral, grandes manifestações públicas de fé, realizadas pelas ruas de muitas cidades, vilas e aldeias de todo o País, com participação massiva de fiéis. Dado o seu carácter teatralizado, constituem também momentos de afluência de outro tipo de público, cativado pela cenografia do evento ou a eloquência do pregador dos vários sermões que são proferidos no percurso.

Pelas ruas de Jerusalém

A procissão dos Passos, tradição implantada em Portugal pelos Franciscanos ao longo do século XVI, é uma espécie de repetição do caminho de Jesus, desde o Pretório, onde foi julgado por Pilatos, até ao Calvário.

Trata-se de uma reconstituição das ruas de Jerusalém, uma Via-Sacra mais imponente e com forte intensidade dramática, em que o próprio Cristo caminha com os devotos, que se mantém hoje como catequese viva e apelo profundo à conversão. No meio do percurso, dá-se o Encontro de Jesus com a sua Mãe, a “Senhora das Dores”, um dos momentos centrais do cortejo.

Em muitos lugares, a procissão inicia-se com o Sermão do Pretório e termina com o Sermão do Calvário. O figurado processional depende das tradições locais, mas geralmente recorda passagens evangélicas da Paixão, trechos do profeta Isaías, e as personagens que marcaram a passagem terrena do Messias.
Fonte: Igreja Viva / SNPC

Também na Diocese de Leiria-Fátima, várias são as paróquias onde a Procissão dos Passos é tradição de longa data. Cortes, Maceira, Milagres e Porto de Mós viveram esse momento no passado fim de semana. Aljubarrota, Atouguia, Monte Redondo e Vermoil irão realizar a sua procissão no próximo Domingo de Ramos.

Pedimos a estes párocos que nos enviassem algumas fotografias e uma breve apresentação da respectiva celebração.

 

Cortes

Via Matris deu o tom à procissão deste ano

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A paróquia das Cortes celebrou a Procissão dos Passos do Senhor, no passado dia 6 de Março. “Desde há quatro anos, esta procissão têm sido alvo de algumas mudanças que, mantendo embora a tradição, se ajustam mais aos tempos modernos”, refere o pároco, padre Rui Ribeiro. Uma das apostas foi o envolvimento do grupo de Jovens na “construção de alguns cenários que reproduzem as estações principais da caminhada de Jesus para o Calvário, dando assim maior destaque à meditação e contemplação das estações”.

Este ano, no contexto do ano mariano na Diocese, a opção foi seguir a Via Matris, “a qual permitiu a atenção às sete dores de Maria enquanto cooperadora da redenção de Jesus Cristo”. A Procissão realizou-se durante a tarde, com a presença de muitos devotos, alguns de fora da freguesia, e terminou com “uma coreografia sobre os sentimentos vividos por Maria após a morte de Jesus”. Esta foi elaborada e encenada pelo grupo da “Belidade”, constituído por pessoas mais idosos da paróquia, “tendo suscitado muito agrado dos presentes”.

 

Maceira

Três dias de Missas e procissões

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Desde o século XVIII, a Solenidade do Senhor dos Passos tem sido, dentro da vivência quaresmal da paróquia da Maceira, um momento intenso de oração. Assim foi, nos passados dias 5 a 7 de março. “É marcante, nas procissões, o ambiente de oração silenciosa e profunda que se faz sentir”, refere o pároco, padre Marcelo de Moraes.

A solenidade começa sempre no sábado, com Missa na igreja paroquial seguida da primeira procissão com a imagem do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores para a igreja de São João, no Arnal. A segunda procissão é o regresso dali à igreja paroquial, com a imagem do Senhor dos Aflitos, Cristo crucificado.

No domingo, no largo de São João Batista, houve Missa às 15h00, seguida da procissão e dos três sermões: um ainda na igreja, outro a meio do caminho, bastante emotivo, com o encontro das imagens do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores, e o último de novo na igreja paroquial, com a abertura de uma cortina e a revelação do Senhor dos Aflitos com as crianças e as personagens bíblicas que vieram também em procissão até ali.

Na segunda-feira à noite, voltou a haver Missa e procissão, com o regresso da imagem do Senhor dos Aflitos à igreja de São João.

 

Milagres

“O amor é hoje o nosso caminho”

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2016-03-09 passosmilagres3Sempre no 4.º domingo da Quaresma, centenas de pessoas, em número crescente de ano para ano, participam na Procissão dos Passos na paróquia dos Milagres. O pároco, padre Jacinto Gonçalves, presidiu nos últimos anos “por opção pastoral”, procurando “não ficar só pela emoção, mas ir ao encontro da vida da comunidade concreta, em caminhada quaresmal e em sintonia com o tema pastoral da Diocese”. O pároco refere que esta celebração “provoca uma reflexão sobre os nossos caminhos, horizontes e propósitos de vida cristã”, pois “os verdadeiros ‘passos’ hoje são os nossos”.

Neste ano em que somos convidados a deixar-nos seduzir pela Misericórdia de Deus, a mensagem apontou para o Senhor a carregar a cruz por amor, frisando que “o amor é hoje o nosso caminho”. A “banda sonora” da Filarmónica das Chãs ajudou a criar o ambiente de oração e espiritualidade.

Maria é a segunda protagonista da Procissão dos Passos, “imagem da coragem e da presença onde acontecem os dramas humanos, Mãe de Misericórdia e de Ternura que se faz sempre presente junto do Filho e dos filhos que sofrem”. O padre Jacinto comenta: “O verdadeiro encontro de Jesus e Maria desafiou os cristãos a retomarem a Cruz de cada dia com um espírito novo, assumindo dúvidas e desafios, controlando medos, superando adversidade e desesperos, abandonados no amor misericordioso do Pai”. E concluía: “Não rejeitar a nossa cruz! Nunca a trocar por outra mais leve! Nunca a pôr aos ombros dos outros para que a carreguem no nosso lugar!”.

 

Porto de Mós

Momentos teatrais ajudam a meditar

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No domingo, dia 6 de março, em Porto de Mós, cumpriu-se a tradição da celebração do Senhor dos Passos. “É a celebração quaresmal com mais participação popular, pois conta com grande envolvência dos cristãos da paróquia e de muitas outras vizinhas”, refere o pároco, padre José Alves.

Pelas 16h30, na Igreja de S. Pedro, o sermão do Pretório deu início à celebração, com o padre Luís Pereira, dos missionários monfortinhos, a lembrar que “o nosso mundo continua a ser palco de injustiças e de tristes espetáculos do drama do sofrimento humano”, como é o caso “dos condenados à morte, dos que sofrem a injustiça, a mentira e a falsidade, de quantos são acusados injustamente por testemunharem a verdade”.

Com esta primeira mensagem, saiu a multidão de povo, em solene cortejo, pelas ruas da vila percorrendo os diversos passos da Via-Sacra que tem as suas estações em grandes construções em pedra ao longo do caminho até à Igreja de S. João. A meio, o sermão do Encontro, com a encenação feita pelas imagens do Senhor dos Passos e da Senhora da Agonia, centrou-se nas “dores que padecem as mães de hoje” e concluiu que “só ama quem sofre e só sofre quem ama”.

Já na Igreja de S. João, no sermão do Calvário, o pregador convidou os presentes a olhar para Jesus morto e para a sua mãe dolorosa, contemplando nesse quadro “o sentido de perder, de perder pessoas amadas, bens e tantas outras”, um perder que deve “levar ao crescimento pessoal”.

Um momento mais teatralizado acontece quando o sacerdote lembra a frase bíblica “o véu do templo rasgou-se ao meio”. É aí que se abrem as grande cortinas pretas do presbitério e surgem à vista de todos as 23 crianças, vestidas a rigor para representar as diversas personagens da Via-Sacra, desde o Senhor dos Passos, Nossa Senhora da Agonia, Verónica, S. Pedro e S. João, as mulheres de Jerusalém e os muitos anjinhos.

Mas não acaba ainda a celebração. De regresso à rua, já noite, o povo acompanha a procissão do Enterro do Senhor, de regresso à Igreja de S. Pedro, “feita em devoto silêncio e iluminada por 100 tochas e muitas colunas de fogo ao longo do caminho, espetáculo lindo de se ver e que levou à meditação e interiorização dos sermões proclamados”, afirma o pároco.

Ao chegarem à igreja, os fiéis recebem a bênção com o Santo Lenho e são feitos os agradecimentos às muitas pessoas e entidades que colaboram neste evento anual, como é o caso do Município, dos Bombeiros e da Filarmónica Portomosense.

Em nota enviada ao presente, o padre José Alves conclui com o desejo de que “esta procissão possa ser para todos nós uma oportunidade de encontro com o infinito amor de Deus e que este encontro possa trazer a cada um uma vida renovada”.

 

Aljubarrota

Nos 500 anos da Misericórdia

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A Procissão dos Passos na paróquia de Aljubarrota ocorrerá no dia 20 de Março, a partir das 17h00. Cumpre-se, assim, uma tradição antiga do Domingo de Ramos, em que a imagem de Cristo a caminho do Calvário sai à rua e encontra a sua Mãe. O Sermão do Encontro, que ocorre nesse episódio, é um dos momentos mais marcantes, em que “Jesus comunica connosco, pelas ruas da nossa terra deixando-se encontrar por todos e revelando a sua misericórdia”, refere o paroquiano Artur Couto.

Este ano, a celebração ganha um significado especial, já que se comemoram os 500 anos da Misericórdia de Aljubarrota, irmandade que foi constituída nesta vila de Aljubarrota no ano de 1516, no reinado de D. Manuel. Para animar a procissão, participará a Banda Filarmónica Portomosense.

 

Atouguia

Mais mensagem e menos teatro

(Não encontrámos registos fotográficos)

A paróquia da Atouguia realiza esta procissão de dois em dois anos. Até há cerca de uma década, fazia-o alternadamente com a paróquia de Nossa Senhora das Misericórdias – Ourém, mas nesta última tem-se optado pela encenação anual da Paixão durante a Semana Santa.

No caso da Atouguia, mantém-se a tradição bienal no Domingo de Ramos, que acontece este ano. A celebração é integrada na Missa, que começa pelas 15h00, com a concentração dos fiéis em frente à “junta velha” para a bênção dos ramos. Na igreja, após as leituras, faz-se a primeira meditação. “Nos últimos anos, optámos por não fazer sermões à maneira antiga, mas sim pequenas reflexões que vão sendo repartidas por vários momentos”, refere o pároco, padre Fernando Varela. Sete cruzes pretas devidamente ornamentadas assinalam outros tantos locais de paragem para as referidas meditações breves. A principal é a cena do Encontro de Jesus com sua Mãe, mas “também já não se faz a encenação com as imagens a aproximarem-se, pois queremos centrar a atenção das pessoas na mensagem”, adianta o pároco. De regresso à igreja, os fiéis escutam uma última meditação sobre a crucifixão e segue-se o ritmo normal da Eucaristia, a partir do Credo.

 

Monte Redondo

Tradição cumpre-se no Domingo de Ramos

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2016-03-09 passosMonteRedondo2A Procissão dos Passos em Monte Redondo realiza-se no próximo dia 20 de março, com início na Missa das 14h30, na igreja paroquial. Segue-se a procissão com a imagem do Senhor dos Passos, em direcção à estação de caminho-de-ferro da Linha do Oeste. Aí se representará o episódio do Encontro de Jesus com Sua Mãe, com o sermão este ano a cargo do padre Luciano Guerra. A multidão de fiéis que costuma participar nesta celebração anual regressará, então, à igreja paroquial, onde será dada a bênção final.

 

Vermoil

Ambiente de celebração e participação respeitosa

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Os Passos do Senhor vivem-se na paróquia de Vermoil no Domingo de Ramos. Começam com a celebração da Eucaristia, na igreja paroquial, e logo aí tem lugar o sermão do Pretório. Já em procissão, após duas breves estações (“Jesus pega na cruz” e “A queda de Jesus”), “tem lugar aquele que é o momento mais forte, o sermão do Encontro, em frente à antiga igreja paroquial, por sinal muito bem conservada”, conta o pároco, padre Orlandino Bom. Mais duas estações (“Verónica limpa o rosto de Jesus” e “Jesus encontra as mulheres de Jerusalém”) e todos reentram na igreja paroquial. Aí termina a celebração com o terceiro sermão, chamado do Calvário.

O pároco refere que “este acto de piedade popular decorre num ambiente de celebração e participação respeitosa e há um grupo grande de pessoas activamente envolvidas (filarmónica, grupo coral, leitores, os que transportam as imagens e as insígnias, responsáveis de som, quem orienta a procissão, etc.)”. Por norma, tenta-se ter “presente o tema do ano que está a ser vivido na Diocese, tanto nos sermões como nas pequenas reflexões e orações que se fazem em cada uma das estações”.

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