Pedir ajuda é uma vitória!

Pedir ajuda é uma vitória. Parece um cliché, uma frase feita, mas é uma realidade com a qual me deparo cada vez mais.

Saber pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de coragem, da humildade de quem sabe que, sozinho, talvez não seja capaz. Não se trata de um processo direto de facilitismo ou de comodismo no qual a pessoa pensa “sozinho é mais difícil, por isso vou pedir ajuda para se tornar mais fácil”, aliás, quem tem facilidade em expor a sua vida, os seus problemas, os seus “podres” que atire a primeira pedra. Nunca é por facilitismo. Nunca.

“A minha filha está muito mal, mas não quer falar com ninguém. A semana passada pediu ajuda. Agora vamos ter esperança”.

Deliciei-me com a expressão “a semana passada pediu ajuda”. Saiu com muita naturalidade a quem a disse, talvez por isso tenha sido tão interessante. No meio daquele discurso, a expressão fluiu tão bem e não soou a desinteresse, não pareceu uma frase que saiu apenas por acaso; soou com a naturalidade de ser esse o percurso que as dificuldades devem seguir. Ao dizê-la, a pessoa sabia que se tratava de um passo fundamental para a mudança e isso significava, agora, um sinal de esperança.

Por vezes não há um pedido de ajuda, mas tão importante como pedi-la é o saber aceitá-la, mesmo quando não há um pedido explícito. Aceitar a ajuda que nos é oferecida – tantas vezes de forma gratuita, desinteressada – também é um sinal de humildade. Mas, embora estes passos façam parte de um percurso saudável, também é importante que cada pessoa leve o seu tempo; ninguém pode escolher dar um passo para o qual não sente que está preparado.

E tantas são (também) as vezes em que parece que a pessoa aceitou ajuda e, no entanto, apenas se está a refugiar na dependência emocional que tem por alguém ou pelas pessoas que lhe são próximas… “Estou próximo/a de quem gosto, sinto-me amado/a, não preciso de mais…” sem, no entanto, procurar dar de beber ao amor por si mesmo e, no dia em que esta segunda pessoa não puder corresponder às expectativas, a esperança escorre pela jarra abaixo…

Infelizmente, há pessoas que não são capazes de dar estes passos a tempo de se conseguirem moldar, a tempo de quererem continuar a lutar, a tempo de descobrirem que afinal havia esperança, que havia alguma coisa que podia ser feita…

A todos os que nos lêem, deixo o apelo a olhar para os exemplos de força, de coragem, de humildade à nossa volta:

Quantas pessoas conhecemos que foram capazes de pedir ajuda?

Será que sou capaz de aceitar ajuda quando ela me é oferecida?

Como está, hoje, o amor que sinto por mim?

Diana Costa e Lénea Coelho
Diana Costa e Lénea Coelho
Diana Costa: enfermeira de cuidados gerais (dianacosta.enf@gmail.com) Lénea Coelho: enfermeira especialista em saúde mental e psiquiatria (leneacoelho@gmail.com)
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