Pedir a Deus novos padres?

Pedir a Deus novos padres?

Na semana dos seminários, os fiéis católicos, famílias e comunidades são exortados à oração pelas vocações sacerdotais. Por novas e pela generosidade, perseverança e fidelidade dos seminaristas e de todos os ministros de Cristo. 

Tal oração não pode reduzir-se a uma espécie de recados a Deus para nos dar os padres que queremos. É sobretudo reconhecer que a Igreja e a sua missão no mundo são obra e cuidado amoroso de Deus. Só em ambiente de oração, isto é, de amizade estreita com Cristo e abertura ao Espírito, se pode perceber a própria vocação e reconhecer, apreciar e apoiar a de outros. Só na oração se entende que ser padres não é profissão ou carreira como outra qualquer, mas acolher um dom e apelo de Deus que compromete a vida toda. 

A oração é então sintonizar com o amor e a vontade salvífica de Deus sobre a humanidade e a missão que confia à Igreja. É manifestação de fé e disponibilidade para obedecer a Deus e colaborar com Ele na Igreja em favor dos homens, que Ele ama e a quem se quer dar a conhecer. 

Quando autêntica, abre e dilata os corações para receberem o amor e demais dons de Deus. Ela compromete quem a faz. Propicia ambiente favorável à escuta de Deus e à resposta generosa aos seus apelos. Dispõe à colaboração para que o amor e a palavra de Deus cheguem a todos. Desperta a atenção para ser mediador do chamamento divino junto de outros. Quantos sacerdotes não perceberam a sua vocação por um padre, catequista, professora ou professor, o pai ou a mãe, o irmão ou a irmã, o amigo ou a amiga! 

Ao pedirmos a Deus novos “operários para a sua messe”, precisamos de estar disponíveis para assumirmos a nossa própria responsabilidade, ouvindo porventura: “Vai, que Eu te envio!” Não há vocações sacerdotais isoladas dos demais compromissos cristãos no mundo. Quem sabe se a atual carência de novos padres não é a provação necessária para que na Igreja cada fiel descubra e corresponda à própria vocação, vivendo-a em comunhão e corresponsabilidade na comunidade a que pertence. Teremos então nova primavera vocacional!  

Nota: Editorial retirado do jornal PRESENTE, de 10 de novembro de 2016

Jorge Guarda, P.
Jorge Guarda, P.
Vigário Geral da diocese de Leiria-Fátima.
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