Pároco e leigos de Pedrógão Grande “vivem” drama dos incêndios no Seminário de Leiria

Pároco e leigos de Pedrógão Grande “vivem” drama dos incêndios no Seminário de Leiria

As primeiras chamadas telefónicas começaram a meio da tarde de sábado e nunca mais pararam. Antes, durante o almoço e quando já se sabia da existência de incêndios, o padre Júlio dos Santos tranquilizava os seus paroquianos: “está tudo bem!” Mas, de repente, tudo mudou.

Aquele grupo de 32 leigos e pároco de Pedrógão Grande entraram em sobressalto, com os telemóveis a tocar permanentemente. E as notícias não eram animadoras: o fogo cercava familiares e bens. A um já ardera o trator, a outra os currais e arrecadações, a outra era o marido que estava em casa cercado pelas chamas… Eram as mais variadas situações, todas com denominadores comuns: o medo por verem partir familiares e bens, bem como a ansiedade por receber as boas e desejadas notícias que tranquilizassem.

Assim foi durante todo o dia. E nem a celebração eucarística, celebrada já pela noite, parecia ajudar a acalmar aquela gente. Eram o grupo maior, por entre cerca de 100 pessoas, que se encontrava no Seminário Diocesano de Leiria, desde sexta-feira à noite, para o convívio conclusivo dos encontros catequéticos do Caminho Neocatecumenal, decorridos em algumas paróquias das dioceses de Leiria-Fátima e Coimbra. A celebração começou e decorreu de forma sobressaltada. Dos toques dos telemóveis ao corrupio de pessoas a entrar e sair. Embora num ambiente difícil, algumas daquelas pessoas começaram a experimentar ali um pouco de paz, de esperança. De tal forma que, embora a ansiedade não se dissipasse de todo, no final as expressões eram outras. A esperança e alegria apoderam-se da assembleia, que terminava a celebração, cantando um hino pascal. “Oh morte, onde está morte?”, “Onde está a tua vitória?”, “Ressuscitou!” “Aleluia!”. Assim cantavam, com voz forte. Já à saída, pelos corredores e por entre mais telefonemas, esse sinal de esperança traduzido em palavras: “os meus filhos estão descansados por saberem que estou aqui e não lá”, ouvíamos de uma idosa, e “Deus trouxe-me aqui para não ser uma daquelas vítimas”, comentava outra mulher. A noite terminava com um pequeno momento de convívio, que serviu para partilhar as dores e alegrias, angústias e esperanças daquelas gentes. As das paróquias de Pedrogão Grande e Castanheira de Pêra (Diocese de Coimbra) – estas entretanto também já fustigadas com o drama dos incêndios – e as de Marrazes, São Mamede e Souto da Carpalhosa (Diocese de Leiria-Fátima).

Já no domingo pela manhã, em plena celebração de laudes, chegavam palavras de ânimo do bispo local, D. António Marto, que fez questão de se associar à dor daquelas gentes e se juntar a elas em oração. Um gesto de conforto que se sentiu naquela sala, entretanto mais despida de assembleia, em virtude de algumas pessoas terem tentado regressar a casa mais cedo. Os que ficaram e deixaram Leiria um pouco mais tarde, fizeram-no com ânimo e esperança redobrados. Sabendo que Deus fala através dos acontecimentos, que nem sempre cabem no entendimento do homem. Contudo, nunca deixa de ser Pai e Amor. Assim escutaram e assim regressaram a Pedrogão Grande, o padre Júlio e os seus paroquianos.

Pedro Jerónimo (C.)

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