Os Samaritanos celebram a Páscoa dentro das celas

Os Samaritanos celebram a Páscoa dentro das celas

No passado sábado, dia 4 de maio, “Os Samaritanos” quiseram levar a alegria e a esperança da Páscoa aos jovens e adultos que se encontram nas duas prisões da nossa cidade. O dia começou cedo, às 9h30 na prisão-escola, onde se reuniram para visitar os vários pavilhões daquele estabelecimento, habitados por jovens rapazes entre os 16 e os 25 anos. Ali, divididos por quatro grupos, dinamizaram, em simultâneo, uma atividade com os reclusos que quiseram participar e que consistiu na leitura e reflexão da passagem bíblica da mulher adúltera que está prestes a ser apedrejada. O tema central da reflexão foi o perdão. A partir da leitura, foi feita uma síntese e os jovens foram convidados a partilhar, a comentar, a questionar. Com o auxílio dos capelães, o Frei Bruno e o Frei Sérgio da ordem franciscana, a reflexão incidiu sobre as várias experiências de perdão que se podiam identificar: a experiência de perdoar – “quem não tiver pecado algum que atire a primeira pedra” –, a experiência de ser perdoado – “ninguém [me condenou], Senhor” – e a experiência do perdão de si próprio e que permite a mudança de atitude – “vai e não tornes a pecar”. No final da meditação, foi distribuído a cada recluso um pedaço de papel em forma de pedra, convidando cada um a pensar em algo que lhes seja difícil perdoar. Após essa fase, colaram as várias pedras ao redor da leitura bíblica que estava afixada na parede, formando-se um coração com a pedra de cada um. Procurou-se que os jovens pudessem ter uma participação ativa nesta atividade na medida do interesse, sendo que, no entanto, o mais importante já era a decisão da sua presença. Como recordação daquele momento e do tempo pascal que se vive, foi oferecida uma cruz em tecido a cada um dos presentes, recordando Aquele a quem nada é impossível e que desafia diariamente a lembrar a Sua entrega de amor. Para finalizar a atividade, “Os Samaritanos” ofereceram em mão a todos os reclusos – inclusivamente àqueles que não assistiram à sessão – um pacote de amêndoas e um postal com uma oração para que, mesmo na solidão das suas celas, pudessem saborear esta época da forma como ela costuma ser saboreada e para que pudessem ter a companhia de uma oração que pudessem rezar, recordando aquele dia na certeza de que existem pessoas que também rezam por eles fora daqueles muros. Várias foram as expressões de alegria e de gratidão, não só pelo significado da visita, mas pela mensagem que alguns acolheram intimamente.

À tarde, a partir das 15h30, foi a vez de visitar os reclusos da prisão regional, destinada a homens com mais de 25 anos. Neste lugar, houve a possibilidade de celebrarem juntos a eucaristia, animada com cânticos que incentivaram a participação de muitos. Também aqui “Os Samaritanos” procuraram que eles pudessem ter uma participação ativa, ficando responsáveis pelas várias leituras. Ali, comparativamente à prisão-escola, percebe-se uma seriedade diferente na forma de estar em momentos de reflexão, principalmente durante a eucaristia. Além da sua participação, procurou-se que a mensagem litúrgica fosse compreendida, fornecendo algumas pistas de reflexão durante a homilia. No final da celebração, existe sempre algum tempo para conversar de forma mais livre com aqueles que vão ao seu encontro ou que se mostram disponíveis para essa partilha. Ao terminarem a visita, à semelhança do que aconteceu na prisão-escola, entregaram o pacote de amêndoas e o postal com a oração a cada um mas, contrariamente à outra prisão, fizeram-no no lugar que mais profundamente toca na ferida da solidão do recluso, isto é, na própria cela, uma a uma. Paradoxalmente, é precisamente ali, junto à chaga, que sentiram que devem estar e que devem conseguir chegar; ali, olhando cada um nos olhos e desejando-lhes as boas festas, naquela natureza-morta que parece, à partida, não ter lugar para a esperança, para a Páscoa.

A celebração da Páscoa é um dos momentos mais fortes da vida do cristão e é, por isso, um momento que não pode passar despercebido nem deixado de ser vivido em comunhão, onde quer que nos encontremos. Os reclusos não são seres inferiores, são pessoas que também precisam de saber que Cristo veio (também) por eles, que morreu e que ressuscitou. Por isso, vale sempre a pena o caminho do perdão, demore o tempo que demorar.

Quem são?

“Os Samaritanos”, Associação de Visitadores dos Estabelecimentos Prisionais, são um grupo de voluntários cristãos, que se dedicam a visitar aqueles que se encontram privados da sua liberdade nos dois estabelecimentos prisionais de Leiria. A sua existência assenta na concretização do amor incondicional de que Jesus veio falar, na transmissão da Sua mensagem de esperança, de conversão e de reconciliação àqueles que a quiserem acolher. Neste sentido, participam da pastoral penitenciária, conduzidos espiritualmente pelo capelão dos estabelecimentos prisionais.

GIC - Gab. Informação e Comunicação
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