O encontro vicarial de Fátima foi marcado por um testemunho na primeira pessoa: “O verdadeiro algo mais…”

O encontro vicarial de Fátima foi marcado por um testemunho na primeira pessoa: “O verdadeiro algo mais…”

E já lá vão sete encontros vicariais do bispo D. António com os jovens. O mais recente recente realizou-se na paróquia de Fátima, para a respetiva vigararia, no dia 8 de fevereiro. O salão paroquial, mais uma vez, verificou a assistência máxima, cerca de três centenas de jovens.

O início foi marcado pela apresentação do tema do ano num misto de representação dramática e jogos de sombras, onde esteve em destaque a forma como, nos dias de hoje, as pessoas se distraiem com o supérfluo e dão atenção ao acessório. E como já é hábito nestes encontros, em que há sempre um elemento que torna cada um distinto dos outros, o de Fátima foi marcado pelo testemunho do Daniel, um jovem de 38 anos de naturalidade brasileira e que está em Portugal há um ano. A partilha da sua vida pessoal em que experimentou uma verdadeira conversão, trouxe à memória dos presentes a parábola do filho pródigo, tais as semelhanças que se encontraram. O Daniel é mecânico e está a morar em Fátima, para onde, de acordo com o que nos confidenciou, foi “enviado por Deus e com intercessão de Nossa Senhora”. Antes, a sua vida foi marcada pelos excessos da juventude, período em que buscava “sempre algo mais” nos locais errados tais como a droga e o álcool. Conhecer a sua namorada, com quem acabou por se casar há catorze anos, foi o ponto de viragem na sua vida para conhecer o “verdadeiro algo mais que procuramos, que é Deus”. Foi ela quem o levou a participar num retiro que marcou a sua conversão e o abandono da vida que levava e que acabou por trazê-lo até Portugal. Hoje são pais de uma filha de 13 anos e de um filho de 10. Embora o Daniel sinta muitas saudades de estar fisicamente com a família, ele diz que é para um bem maior, já que a sua pastoral ativa junto da juventude realiza o que considera a vontade de Deus para ele. Mesmo à distância, é um pai presente graças às tecnologias da comunicação e, tanto a esposa como os filhos, apoiam a sua estadia no nosso país. “O meu sonho é trazê-los para cá, e eles também têm muito o desejo de vir”, diz-nos, explicando que não pode sair do país sob pena de perder o visto de residência.

Após o testemunho do Daniel, foi a vez do D. António Marto responder às habituais perguntas feitas pelos jovens da vigararia de Fátima. O bispo começou por dizer que o testemunho que acabavam de ouvir não precisava de mais palavras. E aproveitou para dar exemplos de três grandes santos da Igreja que também se converteram apenas em adultos, sendo a sua juventude vivida um pouco à semelhança da do jovem brasileiro: Santo Agostinho, São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loiola. A este propósito, D. António conclui que “afinal Deus fala de muitos modos, através de muitos testemunhos que encontramos na vida”.

Respostas rápidas

Para além das perguntas subordinadas às diversas áreas temáticas discutidas em grupos, o serão teve o momento de perguntas com respostas rápidas que também se verificou noutros encontros e que permitiu aos presentes conhecer melhor o seu Bispo diocesano. Ficámos, por exemplo, a saber que, se não fosse padre, o D. António gostaria de ser professor e que “nunca na vida” pensou em chegar a cardeal. Santo António é o seu santo predileto e, à pergunta que pedia para escolher entre Viseu — onde foi bispo antes de vir para a nossa Diocese — e Leiria, respondeu “ambas”. Deixamos aqui mais algumas perguntas e as restantes respostas dadas pelo prelado:

P: Fátima, que lugar tem no seu coração?

R: Enche-o!

P: Como se sentiu ao ser escolhido para o ministério episcopal?

R: Chorei! Chorei por ter de deixar a vida que tinha, os meus amigos, a cidade onde estava… Tive de deixar tudo, por isso chorei.

P: Qual o seu animal preferido?

R: O cão.

P: Qual o seu clube preferido?

R: O Sporting.

P: Qual o filme que mais gostou?

R: A Vida é Bela.

P: Qual o seu livro preferido (não vale nenhum dos que está na Bíblia)?

R: O que estou a ler: O Elogio da Sede, de Tolentino Mendonça.

P: Como vê a Igreja daqui a 10 anos?

R: Mais evangélica, mais próxima do povo, mais missionária.

P: Recorda-se do primeiro Crisma que administrou na Diocese?

R: Não me recordo. (Nota: o apresentador informou que foi na paróquia de Santa Catarina da Serra, de onde é natural)

P: Ser Papa?

R: Nem pensar.

P: Para terminar, o que dizem os seus olhos?

R: Sorriso.

O que pensam os jovens do encontro

No final do encontro estivemos a falar com a Cátia, o Duarte e o Francisco, três jovens que vieram de Santa Catarina da Serra para ouvir o D. António. São três amigos da mesma idade que vieram ao encontro por convite da catequista e que serviu também como uma etapa de preparação para o Crisma. Todos manifestaram o seu agrado por terem participado e sobretudo pela forma como o cardeal abordou as questões que lhe foram sendo feitas. Acharam muito interessante a resposta que ele deu às questões mais polémicas, nomeadamente a da homossexualidade. “Deu-nos uma resposta bastante objetiva e clara e não andou ali à volta”, explicaram, “porque, geralmente, a Igreja evita abordar estas questões e troca-as por outras mais fáceis”. Um dos aspetos que mais os surpreendeu foi a presença de tanta gente, sobretudo jovens, a que se juntou o convívio entre os participantes e a música acompanhada por guitarras.

Revelaram que nunca tinham estado presencialmente com o D. António e concordaram que ele consegue interagir muito bem com os jovens, de uma forma dinâmica e cativante. “Consegue-nos tocar”, disse a Cátia, acrescentado que, apesar da idade do Bispo, ele faz-se perceber muito bem, passa uma mensagem direta e simples.

O próximo encontro vai ser no dia 16 de fevereiro no Cine-Teatro de Porto de Mós.

Paulo Adriano
Paulo Adriano
Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.
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