Jesus comunica-nos o anti-vírus da confiança

Jesus comunica-nos o anti-vírus da confiança

Estamos a celebrar a Páscoa em circunstâncias muito adversas, sombrias e angustiantes. Os sacerdotes tiveram que celebrar sozinhos, com as igrejas de portas fechadas, sem se poder dar largas à alegria deste tempo. Os fiéis leigos tiveram que ficar nas suas casas e aí, segundo a sua fé, participar nas celebrações da Eucaristia transmitidas pelos meios de comunicação social e organizar momentos familiares de oração, com os subsídios disponibilizados ou conforme à própria criatividade. Nestas situações e pelos meios referidos, a fé pode ser alimentada e mesmo revitalizada. Jesus assume as nossas dores e tristezas e, com a sua ressurreição, leva-nos a viver com confiança e esperança os tempos atuais.

O evangelho da Missa da passada segunda-feira (Mt 28, 8-15) apresenta-nos a corrida das mulheres para darem aos discípulos de Jesus a notícia de que Ele tinha ressuscitado dos mortos e iria encontrá-los na Galileia. Saíam do sepulcro, aberto na sequência de um terramoto e onde encontraram “o anjo do Senhor” que lhes confiou a notícia de que eram portadoras. No caminho, apareceu-lhe o próprio Jesus, que as saudou com a palavra “alegrai-vos!”, disse-lhes para não temerem e confirmou a notícia que levavam aos discípulos. As mulheres queriam homenagear um Jesus morto, mas encontraram-no vivo e ficaram “cheias de grande alegria”.

Perante os mesmos acontecimentos, ao contrário das mulheres, os guardas do sepulcro, “com medo, puseram-se a tremer e ficaram como mortos”. Depois, foram contar aos sumos sacerdotes o que se passara e deixaram-se corromper, recebendo deles “muito dinheiro” para divulgarem a mentira de que os discípulos tinham vindo de noite, enquanto eles dormiam, e roubaram o corpo de Jesus. Mentira e corrupção!

Não apenas neste episódio mas também noutros contados pelos evangelhos, as mulheres discípulas de Jesus são as primeiras testemunhas da sua ressurreição e as portadoras desta boa notícia. Ainda hoje, as mulheres são as principais comunicadoras do Evangelho e da fé: aos seus filhos, na família; às crianças e adolescentes, como catequistas nas paróquias; em muitos movimentos e associações, como líderes e animadoras; nas comunidades religiosas e na atividade missionária, em tantos países; na vida social, partilhando das suas vivências e convidando outras pessoas para múltiplas iniciativas. Que seria da Igreja e da sua missão, hoje, sem o testemunho e o contributo evangelizador, litúrgico e caritativo das mulheres?!

Encontro e feitos de Jesus ressuscitado hoje

A Páscoa é a celebração e o encontro com Jesus ressuscitado, também hoje. Encontro que se dá no acolhimento do Evangelho, nas ações litúrgicas, no amor recíproco entre os fiéis cristãos e através do seu testemunho de vida. Escreve Chiara Lubich: “O Domingo de Páscoa é o triunfo de Jesus Ressuscitado que conhecemos e revivemos também em nós pessoalmente, no nosso pequeno âmbito, quando, unidos realmente no seu nome, experimentamos os efeitos da sua vida, os frutos do seu Espírito. O Ressuscitado deve estar sempre presente e vivo em nós neste tempo em que o mundo deseja ver não só pessoas que acreditam e de alguma forma O amam, mas que são também testemunhas autênticas, que podem dizer a todos por experiência, como Madalena disse aos Apóstolos após ter encontrado Jesus perto da sepultura, aquelas palavras que conhecemos, mas que são sempre novas: “Nós vimo-Lo!” Sim, nós descobrimo-Lo na luz com que nos iluminou; tocamo-Lo na paz que nos infundiu; ouvimos a sua voz no íntimo do nosso coração; saboreamos a sua alegria incomparável.”

No inverno, a vida da natureza está escondida, parecendo morta, mas, depois, quando chega a primavera, ela desponta e floresce, mesmo onde ninguém lançou sementes. Assim, o encontro pascal pessoal, familiar e comunitário com Jesus ressuscitado revitaliza-nos e renova-nos, fazendo despontar em nós uma fé mais vigorosa, uma esperança mais firme e um amor ousado, criativo e expansivo. 

Esta experiência espiritual é particularmente importante neste tempo assombroso de crise mundial por causa da pandemia. Estamos a passar por um inverno em vários sentidos. A vida retraiu-se e quase se escondeu nos espaços domésticos. A viva consciência da vulnerabilidade de todos à doença e da possibilidade de ser contagiado ou de contagiar outros invisivelmente, sem se perceber como ou onde, assusta-nos. A incerteza sobre a durabilidade desta situação e as ameaças que pairam sobre todos nós angustiam-nos. Quem nos pode dizer palavras que nos aliviem o coração como “não temais” e “alegrai-vos” e infundir em nós confiança e esperança? É Jesus ressuscitado! Ele comunica-nos o antivírus que nos permite levantar a cabeça, esperar e lutar. O seu poder manifesta-se na ciência e cooperação que concede aos investigadores, na fortaleza que infunde nos profissionais de saúde e em quantos cuidam dos doentes, na sabedoria que inspira aos governantes, na prudência e solidariedade que desperta nos cidadãos e no espírito e laços de fraternidade que faz crescer em e entre todos os povos. Com Jesus ressuscitado temos esperança e alegria!

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Jorge Guarda, P.
Jorge Guarda, P.
Vigário Geral da diocese de Leiria-Fátima.
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