Fórum Regional do CNE: “passar a bola” para o serviço

Fórum Regional do CNE: “passar a bola” para o serviço

O que têm em comum as palavras “spin”, “loop” e “smash”? Vamos ajudar: talvez esteja mais familiarizado com termos como “puxanço” ou “rosca”… Ainda não? Experimente conhecer um pouco mais dessa modalidade desportiva designada por ténis de mesa, a que muitos preferem chamar “pingue pongue”.

A bem dizer, esta nem será a melhor maneira de começar uma reportagem, mas, pelo menos, ajudará a enquadrar no enredo e na temática escolhida pela Junta Regional de Leiria-Fátima do Corpo Nacional de Escutas, para o Fórum que realizou no passado dia 25 de maio. O tema era “Sou eu a servir”, aproveitando o jogo de significados que remetem para aquele desporto — o lançamento inicial da bola, feito por um jogador — e, simultaneamente, para o voluntariado e o serviço.

Para o evento estavam convidados os dirigentes e os caminheiros da Região de Leiria-Fátima, bem como os pais de escuteiros. No total, 160 inscrições deixaram a aula magna do seminário de Leiria a meio da sua lotação para discutirem três áreas fundamentais do escutismo: a comunidade, a espiritualidade e o próprio escutismo. O desenrolar do programa que iniciou às 9h30 e viu o seu termo por volta das 20h00, foi sustentado por dois tipos de intervenções. Três conferências — designadas por “loop” — com três convidados de referência foram as propostas que ancoraram as comunicações dos agrupamentos da Diocese de Leiria-Fátima, a que se deu o sugestivo nome de “spin”. Estes, por sua vez e através de dinâmicas mais ou menos engenhosas e criativas, foram partilhando ao longo do dia os resultados dos trabalhos feitos em cada um deles. Por altura do dia de B.P, que se realizou no passado mês de fevereiro nas Colmeias, os participantes — sobretudo os pais dos escuteiros — foram convidados a deixarem perguntas que gostariam de ver debatidas. Essas perguntas seriam distribuídas pelos agrupamentos e, agora, o resultado estava à vista: uns em modo discurso, improvisado ou não, outros através de um vídeos, outros ainda em forma de apresentação projetada. Graças a este formato, os participantes no Fórum não puderam queixar-se da monotonia das apresentações.

160 participantes no Fórum.

“Não queremos fotocópias”

No arranque dos trabalhos esteve presente Anabela Graça, vereadora da educação da Câmara Municipal de Leiria. Para a autarca “o movimento escutista tem uma importância fundamental na educação não formal; o trabalho na natureza, o trabalho na equipa, o trabalho com o outro, ter a capacidade de resolver problemas, tudo isso faz com que o escutismo seja uma peça fundamental para a construção de um mundo melhor”. Eu acredito muito no papel que o escutismo desenvolve na nossa sociedade.

Quem também quis deixar o seu cunho nesta iniciativa foi o próprio Bispo da Diocese. D. António Marto fez questão de vir saudar todos os presentes e o contexto não podia ser melhor por estar a decorrer o biénio pastoral dedicado à juventude. “O escutismo é, por natureza um movimento dedicado aos jovens, tem um número extraordinário de membros, mas também tem de especial a sua própria identidade”, justificou, acrescentado que “este espaço de reflexão permite entender melhor o movimento, integrado neste ‘mundo novo'”.

D. António Marto referiu que “a criatividade é uma característica muito própria e é um dos elementos de uma pedagogia muito bela”, e lembrou que “O CNE também tem uma mística muito própria, na sua espiritualidade que é inspirada no evangelho, no que diz respeito ao escutismo católico; daí que também seja a sua missão transmitir a beleza do evangelho”.

D. António Marto esteve na abertura dos trabalho do Fórum.

Neste particular, o Bispo da Diocese afirmou que a relação do escutismo com a Igreja diocesana também tem sido objeto de atenção por forma a encontrar espaços de colaboração e, também por essa razão, agradeceu, em nome da Diocese, em nome da Diocese, aos dirigentes, “por um trabalho de tanta dedicação”, lamentando que “não se dê relevo a essas pessoas que se dedicam à educação de crianças e jovens”.

Ao terminar a sua intervenção, D. António lembrou a individualidade de cada pessoa: “não queremos fotocópias; queremos que cada um conserve a riqueza da sua originalidade, de acordo com a sua vocação”.

Como o escutismo chega à política

O primeiro “loop” (comunicação de referência) passou a bola a Paulo Baptista, presidente da Câmara Municipal da Batalha. Na sua apresentação, identificou-se como escuteiro e fez questão de afirmar que é nessa qualidade que fala: “fui escuteiro e isso continua a marcar-me enquanto cidadão”. E a identidade religiosa também não é posta de lado. “Esta nossa matriz de fé é transversal às nossas funções”, refere Paulo Baptista que fala um pouco da sua experiência política enquanto deputado.

O tema de destaque da sua intervenção foi o projecto de apoio aos refugiados. “É o projecto que mais me orgulho de ter feito e que está a ser concretizado e que fez com que o concelho da Batalha pudesse marcar a diferença à sua escala”, afirmou. Por defender o compromisso do escutismo na comunidade, Paulo Baptista vê nesse projecto um exemplo da forma como “temos de ser mais proactivos uns com os outros”. Daí que, explica, “a Batalha tenha sido falada nos estados Unidos e recebida no Vaticano”.

Paulo Baptista, presidente da Câmara Municipal da Batalha.

Paulo Baptista chamou ainda a atenção para os maus tratos ambientais e patrimoniais que estão a ser feitos na região de Leiria e convidou os presentes a levar ainda mais os valores do escutismo para essas áreas. “O nosso/vosso exemplo é fundamental para o contágio dos valores ambientais e não só”, disse no termo da sua intervenção.

Pausa para abastecer

Chegada a hora do almoço, os participantes no Fórum tinham duas opções que puderam escolher aquando da inscrição: almoço no refeitório do seminário ou preferência por uma espécie de “self-catering” ambulante. Nesta segunda modalidade estava a originalidade e, mais ainda, a prática exemplar dos valores do escutismo, nomeadamente na área ambiental. Quem optou pela segunda, por ter um valor de inscrição mais económico, deveria vir prevenido de casa com a sua própria “marmita”. Embora não seja propriamente uma normalidade neste tipo de eventos, parece que têm sido feitos esforços no sentido de, desta forma, organizar iniciativas ecologicamente mais sustentáveis por dispensar os habituais plásticos descartáveis.

Armados de marmita, alguns dos participantes desfrutaram do almoço volante.

Um olhar sobre a espiritualidade do escutismo

O ponto alto do dia terá sido a intervenção do padre Vasco Pinto Magalhães que ofereceu um momento de reflexão sobre o lugar da espiritualidade na vida dos escuteiros e, em concreto, como escuteiros. Fez uma distinção entre os vários “tipos” de espiritualidade e apresentou a espiritualidade cristã e católica como as linhas de força do crescimento pessoal.

Equacionando pistas para a audiência de escuteiros e encarregados de educação, apresentou como bom manual para o escutismo católico a encíclica de 2015 do Papa Francisco, Laudato Si. Neste ponto, enfatizou a força criadora de Deus, presente em permanência, e interpelou toda a audiência para assumir a Fé como característica intrínseca de cada um e não como conquista que se obtém.

Pe. Vasco Pinto Magalhães foi um dos oradores da parte da tarde.

De acordo com o Pedro Ascendo, organizador do evento, esta comunicação após o almoço “foi uma ‘sobremesa’ deliciosa que o padre Vasco Pinto Magalhães ofereceu a todos os participantes, pois as suas palavras, a sua tranquilidade, a sua assertividade e a sua sabedoria tocaram os corações de quem teve o privilégio de poder estar no Fórum”.

Da esquerda para a direita: Vítor Faria (Chefe Regional), Vanessa Domingues (Chefe do Agrupamento de Monte Redondo) e Pedro Ascenso (responsável pela organização do Fórum)

Para a terceira comunicação do dia foi convidada a Olga Cunha. Para além de ser dirigente do CNE, tendo exercido diversos cargos quer localmente quer em funções na Junta Central, Olga Cunha é psicóloga e presta serviço em unidade de psicologia da Universidade Nova de Lisboa.

A comunicação desta psicóloga incidiu sobre o escutismo propriamente dito. A partir de uma leitura demográfica para explicar como a realidade social teve uma mudança drástica em relação a anos anteriores relativamente recentes, Olga Cunha formulou algumas questões para os participantes fazerem um exercício de autoanálise, nomeadamente para perceberem se o escutismo vais ao encontro das necessidades sentidas pelo quadro de valores e missão a que se propõe como movimento.

Conclusão dos trabalhos

No final da jornada, Pedro Ascenso, que liderou a equipa organizadora, manifestava o seu contentamento pelo resultados dos trabalhos. “Fiquei muito surpreendido com a adesão que os agrupamentos tiveram a este evento que era uma proposta de avaliação daquilo que estão a fazer e projecção do futuro”, explicou-nos, acrescentando que as três conferências ajudaram “a identificar caminhos que nos vão permitir melhorar e encarar as coisas de outra maneira”.

Em jeito de conclusão deste Fórum, a Vanessa Domingues, do agrupamento de Monte Redondo, foi incumbida pela organização de fazer uma síntese dos trabalhos. Publicamos o texto na íntegra:

SOMOS convidados a resumir o que aqui aconteceu hoje…

Poderíamos voltar a enfatizar o papel que o escutismo tem no desenvolvimento de cada escuteiro. Estar alerta, na nossa comunidade, onde vivemos, onde passamos… Reparar na necessidade do próximo, o próximo-próximo e o próximo-distante. O escutismo vem-nos de dentro para fora, nasce dentro de nós, dentro das nossas sedes, mas só importa verdadeiramente quando passa para lá das nossas portas,…., quando importa para o mundo!

O que concluímos?
Que somos uma região consciente, atenta e que faz passar para fora o que fazemos, mas que quer chegar mais longe e melhor.
Poderíamos falar sobre o papel da espiritualidade no desenvolvimento pessoal, que não é individual porque nos faz sair de nós e centrar no outro e que arruma o caráter, o intelecto, o físico, o social e o afetivo. Podemos concluir que os valores da Igreja nos sustentam e orientam, que Deus nos toca e que a relação com Ele nos molda e transforma em cidadãos melhores e, a nós também.
Poderíamos voltar a relembrar a missão do escutismo… E é aqui que paro. … Paremos, mas sem ficarmos parados, ….. , para podermos olhar para dentro. O que viemos cá fazer? Porque decidimos vir? Temos sido os educadores que queremos ser? De que forma servimos esta missão? O que vamos fazer diferente? Vamos para os nossos agrupamentos como viemos? Que missão é esta que nos ocupa a vida? O que nos diferencia das demais atividades? Aliás, …., somos só atividades?
Bom, …., já repararam como os miúdos se referem ao escutismo? “Sou escuteiro!”….Reparem .. “Sou!” Eles não andam no escutismo, nem o fazem! Eles “são” e nós,…, nós fazemos para eles, com eles, por eles… e por um mundo cada vez melhor!

Então o que viemos cá fazer?
Viemos relembrar todos estes pontos essenciais da nossa missão.
Viemos recentrar, viemos calibrar, alinhavar…
Viemos sintonizar o que somos…
E juntos… Todos juntos, dirigentes, pais, caminheiros, comunidade, juntos somos a região de Leiria-Fátima e fizemos o III Fórum regional com o que temos, o que somos e o que queremos fazer.
Sou eu e és tu…. Vamos servir? Melhor dizendo, vamos educar?
Vamos educar para a profundidade, para a consciência, para escolhas bem feitas, para a humanidade.

Vamos a isto!
Vamos fazer crescer, para crescermos nós também!

Galeria de fotos

Link para o álbum: https://photos.app.goo.gl/bLi5ZPdbTd28CQYZ7

Paulo Adriano
Paulo Adriano
Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.
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