Estás triste? Não, estou cansada…

Engraçado ou não, esta é uma expressão que oiço com frequência.

Parece que, perante o amargo de alguns dias, perante algumas desilusões, quando nos perguntam “estás triste?” a nossa resposta refugia-se e culpamos o cansaço de tudo o que nos vai na alma e que preferimos não ter que definir melhor.

Será que o cansaço é uma máscara aceitável da nossa tristeza ou frustração, uma máscara que nós próprios até conseguimos tolerar?

Será que o cansaço é a nossa maquilhagem social que dá imenso jeito para disfarçar os nossos pensamentos negativos, ruminantes e infecundos?

Atrevo-me a dizer que sim!

Logicamente, nem o todo o cansaço é uma desculpa, mas talvez o seja mais vezes do que pensamos!

Verdade seja dita, também é mesmo possível que andemos de tal forma cansados que nem dê para nos apercebermos se estamos tristes ou conformados, ou infelizes ou sem esperança, ou distraídos ou distantes. Não há diferença. Com o ritmo alucinante dos nossos dias, talvez tenhamos mesmo dificuldade em olhar para dentro de nós e reconhecer o que se passa… E sentimo-nos cansados. Sobretudo cansados. E já nem sabemos sequer de onde é que isso vem. 

Pensando bem, acho que eu própria faço o mesmo e nem me tinha apercebido.

– Estás triste?

– Não, estou cansada.

Vivemos a vida cansados. Jovens por fora e, porém, já cansados sem saber porquê. Quantas não serão as vezes em que até já acordamos cansados… E será mesmo disso que se trata?

Não estará na hora de ouvirmos mais a nossa voz no meio do ruído à nossa volta?

Não estará na altura de abrandarmos o ritmo e pensarmos mais profundamente sobre o curso da nossa vida?

Como disse, eu não me excluo do grupo de pessoas que cai na tentação de usar a máscara do cansaço, mas tento estar atenta, mais alerta.

Olhemos para o exemplo das crianças: quando estão cansadas, as crianças ficam menos reactivas, mais apáticas… mas não é tristeza que os seus olhos transmitem; porque, na tristeza, o olhar comunica de outra maneira…

Talvez tenhamos que começar a dar os nomes verdadeiros às coisas! É certo que ninguém se deve expor para toda e qualquer pessoa nem tem de se desfazer em justificações, mas, em primeiro lugar, tenho de começar por ter a noção, para comigo mesma, do que realmente sinto. É como se estivéssemos a interpretar um mapa. Ora, se interpretamos o nosso sentir como cansaço, então a direção a tomar é ir descansar; mas se, na realidade, reside dentro de mim tristeza, então talvez o descanso por si só não seja o caminho, talvez eu precise de falar sobre ela. São duas direções diferentes! O que sentimos aponta-nos a direção que devemos tomar no “mapa” da vida!

Por isso, gostaria de concluir deixando este desafio: que hoje, ao longo desta semana, ao começar deste novo mês, procuremos estar mais atentos a nós mesmos para sabermos como ler melhor o mapa da nossa vida… livremo-nos do auto-engano para que possamos começar a definir a nossa rota!

GIC - Gab. Informação e Comunicação
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