Estará Deus ausente?

Estará Deus ausente?

Muitos se interrogam e gritam o seu desespero, querendo interpelar o próprio Deus e desafiando a sua omnipotência: se Deus tudo pode, porquê esta pandemia que atingiu inesperadamente toda a humanidade? Porquê tanto sofrimento e tantas mortes provocadas pelo coronavírus? Que mal fizemos para ter que suportar este ambiente terrível de isolamento que nos obriga a estarmos semanas e meses confinados no espaço restrito do lar, impedidos de ter a vida normal que tínhamos, nas relações, na escola, no trabalho?
Fronteiras fechadas, indústria parada, comércio encerrado, deslocações proibidas, estudantes sem aulas, igrejas sem culto… Porquê? Porquê ter que passar por tudo isto? Porquê todos estes constrangimentos e este estado de emergência, à esfera planetária?
As interrogações multiplicam-se, provocam instabilidade, geram medo, atingem a própria fé, a ponto de muitos perguntarem a si mesmos e aos outros: estará Deus ausente? Porque se mantém calado? Porque não intervém? É a eterna questão do problema do mal e da sua existência e manifestação, desde as origens da humanidade.
A questão é oportuna e merece ser considerada com atenção e ponderação. Em causa, aos olhos de muitos, a omnipotência de Deus. Se Deus é omnipotente, porque é que não age?
Mas estará mesmo em causa Deus e a sua omnipotência? Não será antes o nosso modo de olharmos Deus que está em causa? Queríamos um Deus a agir por automatismo e magia para resolver questões que não têm nem tiveram origem n’Ele. Esse Deus autómato e mágico não existe. Nós é que o idealizamos desse modo, à nossa maneira, de acordo com as nossas conveniências. A sua omnipotência é de outra grandeza.
Deus não suscitou o vírus que virou pandemia. Deus não quis que ele existisse e se expandisse. Deus não quer este flagelo para a humanidade. Nem sequer podemos ter a ousadia de dizer que, se não o quis nem o provocou, pelo menos permitiu que acontecesse para daí tirar dividendos, ou seja, para que a humanidade abrisse os olhos e arrepiasse caminho.
Deus não é assim. Deus não quer o mal nem sequer o permite, mesmo em função de um bem maior. Para Deus o mal é sempre mal e, como mal que é, está sempre fora do âmbito de Deus, do seu amor e dos seus desígnios que são sempre de bênção e nunca de maldição.
Não tendo o mal origem em Deus, nem direta nem indiretamente, a questão de fundo mantém-se. Estará Deus ausente, alheio e indiferente à dor dos homens? Não pode intervir, não pode valer-nos nesta aflição?
Não estará presente e a agir de acordo com as nossas categorias mentais, mas está presente e em ação, sem que tantas vezes nos apercebamos disso. Se estivermos atentos vamo-nos apercebendo dos sinais dessa presença amorosa, porque Deus é amor e, onde há um gesto de amor, Deus aí está presente e em ação. É Deus que ilumina e impulsiona a amar, a sair do egoísmo, da auto-suficiência e do orgulho, esse sim raiz de todo o mal e de todos os males.
Deus está presente nos gestos de amor, dedicação e entrega de tantos profissionais de saúde que, nos hospitais, cuidam dos doentes até à exaustão. Deus está presente nos trabalhadores de outras áreas que tudo fazem, abnegadamente e com sacrifício, para garantir a estabilidade, a segurança e os meios à sobrevivência de todos. Deus está presente nos cientistas que investigam e buscam afincadamente encontrar o remédio que possa ser solução para a terrível doença. Deus está presente na onda de solidariedade entretanto desencadeada para o bem comum de todos.
Deus tem o coração voltado para a humanidade dilacerada e ferida. Disso não tenhamos dúvidas. Invocá-Lo com fé e confiança é a atitude que vale a pena, sempre e nesta hora em particular. Disso nos dá testemunho eloquente o nosso Papa Francisco.
A confiança em Deus, nos homens e em nós próprios, liberta-nos do medo e impede-nos de entrar em pânico, que seria o pior de todos os vírus. Em vez do vírus do medo e do desânimo, a força da fé, da confiança e da esperança.

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Joaquim Baptista, P.
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