Entrevista a D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra: “Desejo sempre estar como sou, numa atitude de procura, de diálogo e de proximidade”

Entrevista a D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra: “Desejo sempre estar como sou, numa atitude de procura, de diálogo e de proximidade”

Ocorre esta semana o 5.º aniversário da ordenação episcopal de D. Virgílio do Nascimento Antunes, a 3 de julho de 2011, e da sua entrada como Bispo de Coimbra, no dia 10 do mesmo mês. A esse propósito, o PRESENTE foi entrevistá-lo, oferecendo aos leitores um pouco do que tem sido a vida e missão deste bispo natural da Diocese de Leiria-Fátima, bem como a sua visão sobre a Igreja e o papel concreto que nela desempenha o bispo.

 

 

Afirmando-se “feliz”, confessa que a nomeação episcopal o apanhou de surpresa, mas aceitou sem hesitar e a adaptação à nova vida não foi “um grande esforço”, mas um “processo de integração”. Embora seja um “caminho de cruz”, como assume no seu lema, a vida de um bispo é cheia de “muitas alegrias”, como as que experimenta na visita pastoral que tem feito. “Alegria” e “entusiasmo na vivência da fé” é o que mais deseja nos cristãos, para uma Igreja que seja “testemunha de Deus” no mundo e onde “todos têm uma palavra a dizer e uma missão a cumprir”.

Quanto à missão do bispo, mais do que ser “autoridade” ou “chefe”, deve ser “apóstolo, pastor, servo de Deus e da sua Igreja, sinal visível da presença salvífica de Cristo no meio do seu povo”. Como, aliás, tem sido exemplo do Papa Francisco, que “veio inquietar-me em muitos aspetos”.

Entrevista de Luís Miguel Ferraz | Presente Leiria-Fátima

 

Cinco anos depois da ordenação episcopal, que memórias guarda desse dia?

Foi um dia de muito temor e, ao mesmo tempo, de muitas sensações de felicidade. Senti o peso da responsabilidade que Deus e a Igreja punham sobre as minhas costas, a força da presença da comunidade diocesana representada na multidão de pessoas que acorreram à celebração, o medo de não ser capaz de corresponder às grandes expectativas e a gratidão a Deus por me chamar, apesar de tudo, a ser continuador da missão dos Apóstolos.

A notícia da nomeação, uns meses antes, apanhou-o de surpresa, ou foi algo que já suspeitava como consequência do percurso enquanto sacerdote?

Não imaginava que pudesse acontecer, pois não tinha nenhuns indícios. Tinha sido nomeado reitor do Santuário de Fátima há pouco mais de dois anos, para um mandato de cinco anos e para um lugar onde se não muda num curto espaço de tempo. Pensava que o bispo de Coimbra seria escolhido entre os bispos diocesanos ou auxiliares, como tinha acontecido tantas vezes no passado, não tinha experiência de trabalho pastoral paroquial, não tinha estado em lugares de ação pastoral diocesana, pois o Seminário e o Santuário de Fátima eram lugares muito específicos, que não davam essa perspetiva global do trabalho diocesano. Foi uma absoluta surpresa para mim e penso que o foi também para as dioceses de Leiria-Fátima e Coimbra.

Mas, já nos tempos de seminarista ou de sacerdócio, nunca imaginou que o episcopado pudesse fazer parte dos planos de Deus?
Nunca tinha posto essa hipótese como coisa séria, embora, em tom de brincadeira, muito comum entre os sacerdotes, alguns adiantassem essa possibilidade, o que me deixava sempre muito apreensivo.

“Pregamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus” foi o lema que escolheu. É um programa de vida?

2016-07-01 virgilio0O lema episcopal que escolhi reflete a minha convicção de que o seguimento de Cristo inclui acolher toda a sua vida e ensino, que tem por centro o mistério pascal e, concretamente, o convite livremente aceite de dar a vida seguindo pelo caminho da cruz. Por outro lado, exprime a convicção de que ser bispo no tempo presente, caraterizado por tantas mudanças e dificuldades que a Igreja e os cristãos vivem, é, efetivamente, um caminho de cruz. Acresce ainda a certeza de que a linguagem que convence o mundo não é a dos discursos, mas a da oferta de si mesmo. Como me tinha dedicado ao estudo e ensino de matérias bíblicas, concretamente, ao ensino dos Livros Sapienciais, fui interiorizando a certeza de que a única sabedoria que posso levar é a de Deus, revelada em Cristo, a verdadeira e única Sabedoria. O facto de vir para Coimbra, conhecida como a cidade do conhecimento, ajudou a fazer um ato de humildade e a desejar apresentar-me como servo de Cristo Crucificado, a Sabedoria de Deus.

E sim, será um programa de vida. Procurei apresentar-me em todos os lugares de forma simples e como enviado de Alguém que é absolutamente mais do que eu. Tanto nos lugares de cultura como junto das comunidades de pessoas pouco instruídas desejo sempre estar como sou, numa atitude de procura, de diálogo e de proximidade. Não tenho pergaminhos a defender, nem lugares a conquistar na Igreja ou na sociedade e, por isso, procuro fazer o melhor que sei, sem dramas quando não corre bem.

Falou nos cerca de dois anos como reitor do Santuário de Fátima. Custou-lhe deixar essa missão?

O Santuário de Fátima foi uma causa que assumi com muita alegria, mas igualmente com grandes apreensões. Substituí uma pessoa que estava no cargo há muitos anos e por quem tinha grande admiração. Sabia que não se tratava de comparar nada e que devia ser livre na condução das opções sem estar preocupado com o que antes se fazia ou deixava de fazer. Procurei fazer o que parecia mais adequado em cada circunstância, ouvindo as pessoas que ali trabalhavam e os órgãos consultivos existentes.

Gostava muito daquela missão e custou-me deixá-la, mas não hesitei no momento de decidir e dizer sim ao convite que o Papa Bento XVI me fazia. Tínhamos elaborado o programa genérico para a celebração do centenário das aparições e estávamos a dar os primeiros passos para a sua concretização ao longo de sete anos, havia muitos projetos sobre a mesa e um grande entusiasmo. Um padre sabe que a obra não é sua e aceita de livre vontade, movido pela fé e pela consciência da sua vocação, estar onde a Igreja precisa dele. Não conseguiria fazer de outra forma.

2016-07-01 virgilio2©LMFerraz | No dia do anúncio da nomeação, em Fátima

 

Nova diocese

Uma semana depois da ordenação, entrava como bispo em Coimbra. Esta diocese também foi uma surpresa?

A proposta que o Núncio Apostólico me fez em nome do Santo Padre era muito concreta. Não se tratava simplesmente de ser bispo, mas de ser bispo de Coimbra. Para o caso, era indiferente. Ser bispo diocesano de um ou outro lugar não fazia a diferença. Seria mais simples começar como bispo auxiliar, porque daria tempo para uma adaptação mais lenta ao exercício do ministério. Depois de estar a trabalhar na Diocese centrei-me na missão e deixei de pensar em tudo isso.

Quer dizer que foi difícil a adaptação a essa “nova vida”? Já conhecia a realidade eclesial de Coimbra?

Foi uma mudança muito grande na vida. Foi entrar numa realidade desconhecida, apesar de algumas pessoas pensarem que a conhecia bem, apresentar-me diante de uma comunidade nova, ir ao encontro dos sacerdotes que tinham as suas expectativas, dos quais conhecia apenas um pequeno número, ser cristão com todos e bispo para todos, apesar de alguns terem sido meus formadores, professores ou colegas de Seminário.

A diocese de Coimbra tem uma longa história, uma tradição, e, como todas as outras, tem as suas particularidades, o seu modo de ser Igreja. Foi e é ainda preciso conhecer, deixar-se envolver, “inculturar-se”, pois a chegada de um bispo não é o princípio da história. Quem chega precisa de inserir-se, dar continuidade, potenciar o que existe, continuar a abrir caminhos já andados, procurando, no entanto, ser ousado, criativo e determinado na apresentação de propostas que sejam acolhidas e mobilizem as pessoas e as comunidades.

Mas a adaptação à nova realidade não constituiu para mim um grande esforço, pois senti-me naturalmente em processo de integração.

Que prioridades assumiu no seu primeiro projeto pastoral?

Não trazia propriamente um pacote de prioridades, mas o desejo de fazer caminho à luz do Evangelho e das grandes linhas de ação pastoral propostas pela Igreja para o tempo presente, sempre com o pano de fundo da eclesiologia do Concílio Vaticano II. Encontrei uma diocese onde se fez um grande trabalho de implementação das perspetivas conciliares, onde os leigos já fizeram um grande caminho e onde muitos sacerdotes já lhes dão o lugar de responsabilidade que devem ter. Encontrei muito viva a ideia de uma Igreja mistério de comunhão e alguns sacerdotes entusiastas da evangelização.

O plano pastoral diocesano centra-se em algumas questões essenciais, que temos procurado pôr em prática: o primeiro anúncio a um mundo muito vasto de pessoas que não aderiram à fé como encontro pessoal com Cristo; o aprofundamento da fé por meio do encontro com a Palavra de Deus (lectio divina) e da catequese de adultos; a corresponsabilidade de todos os membros da Igreja e o sentido de pertença à comunidade cristã; e ainda a adequação das estruturas eclesiais às novas circunstâncias, sobretudo, a reestruturação dos arciprestados e as unidades pastorais ao serviço da missão evangelizadora da Igreja.

A criação do Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral, dos conselhos pastorais dos arciprestados e das unidades pastorais têm ajudado muito em todo este processo.

Não será fácil fazer balanços, mas… no final destes cinco anos, como avalia o trabalho feito?

A diocese de Coimbra fez muito ao longo destes cinco anos. O bispo tem estado presente, tem acompanhado, incentivado, proposto, potenciado, de acordo com o dom do seu ministério, mas procura que cada um segundo os dons que recebeu esteja no seu lugar e dê o seu contributo. Felizmente, tem-se encontrado uma multidão de pessoas que aspiram a uma Igreja mais viva, em comunhão com Deus e têm aderido com alegria. Gostaria que fossem ainda mais e que o dinamismo da fé comprometida chegasse muito mais longe.

Por falar em “alegria”, qual a maior que teve nestes cincos anos?

Há muitas alegrias que me marcam neste tempo. A visita pastoral é, sem dúvida, a maior de todas elas, porque é o lugar do encontro mais próximo, com tempo, a oportunidade do anúncio do Evangelho da alegria e da esperança mais dirigido a pessoas concretas e não sob a forma de generalidades; o encontro com os padres que a visita proporciona é fundamental, porque nos torna conhecidos, faz-nos sentir irmãos e amigos; a visita pastoral derruba os preconceitos históricos que ainda existem no Povo de Deus acerca do bispo. As coisas mais simples ainda são para muitas pessoas uma surpresa.

Já agora… qual a maior tristeza?

A falta de alegria e entusiasmo na vivência da fé por parte de muitos cristãos e de muitas famílias é o que me causa mais tristeza. Ter pessoas na Igreja sem motivações fortes, ainda ancoradas nas tradições culturais, sem interesse por fazer um caminho interior, sem espiritualidade nem conhecimento da doutrina. Fico triste por não conseguirmos ajudá-los a descobrir a beleza do Evangelho e a alegria do encontro com Cristo.

2016-07-01 virgilio3©DR | As maiores alegrias têm sido vividas na Visita Pastoral

 

A Igreja e o mundo

Acha que o futuro na nossa cultura ocidental será de uma Igreja que consegue “cativar e converter” a sociedade, ou de uma Igreja “perseguida e incompreendida” pela maioria?

Não temos de estar muito preocupados com o facto de a Igreja ser mais amada ou mais incompreendida. A Igreja será sempre uma coisa e outra. Havemos sim de nos preocupar com o facto de Jesus Cristo e o seu Evangelho chegar ou não ao coração da humanidade, a ponto de a fazer feliz e lhe apontar os caminhos da salvação. A Igreja tem por missão ser mãe, ser serva, dar a vida com Cristo.

O que mais o preocupa quando observa os noticiários sobre os problemas do mundo, da Europa e, concretamente, de Portugal?

Preocupa-me a falta de respeito que há pelas pessoas e pela sua dignidade, a falta de amor à verdade, a sobreposição dos interesses particulares e institucionais ao bem comum, o diminuto sentido do lugar da consciência.

Como poderá a Igreja contribuir para a solução?

A Igreja só ajudará se conseguir esquecer-se de si mesma para anunciar a Boa Nova sem rodeios, se for livre diante de todos e fiel à sua identidade tanto na sua mensagem como no seu modo de estar no meio do mundo, isto é, se for testemunha.

Na sua opinião, que falta à Igreja para isso e para se tornar verdadeiramente Povo de Deus?

É essencial a fidelidade a Cristo e ao Evangelho. Para ser Povo de Deus tem de dar lugar a todos e acolher a todos, reconhecendo o valor de cada um dos seus membros e a igual dignidade de todos os batizados. Enquanto a Igreja não der a todos a possibilidade de participarem na sua edificação, a seu modo e de acordo com a sua vocação, não será Povo de Deus em comunhão com os homens e com Deus. Na ação pastoral, tem de se tornar Igreja sinodal, isto é, onde todos os seus filhos são chamados à reflexão, têm uma palavra a dizer e uma missão a cumprir. Temos de centrar-nos muito mais na teologia paulina acerca dos carismas e ministérios em ordem à santificação de todo o Corpo de Cristo e transpô-la para o dinamismo concreto da vida das comunidades, tanto para a comunidade diocesana como para as paróquias e movimentos.

2016-07-01 virgilio1©LMFerraz | Arquivo

 

Ser bispo

Como é um dia normal na vida do Bispo de Coimbra?

O dia está muito cheio e reparte-se entre a liturgia e o trabalho. De novembro a maio ocupo-me com as visitas pastorais, de quinta-feira a domingo, durante todo o dia. Os outros dias da semana são para as reuniões dos diferentes sectores e para receber as pessoas que me procuram pelos mais diversos motivos. Durante os outros meses do ano ocupo-me mais com todas as outras questões da vida da Diocese, reservando sempre os sábados e domingos para as celebrações do Crisma nas paróquias. Depois é preciso estudar, preparar comunicações, documentos, participar em muitos eventos onde a presença do bispo pode constituir um momento de encontro, evangelização…

Se mais tempo houvesse, muito mais havia para fazer, mas é preciso fazer opções. O tempo está quase todo tomado. Em julho já tenho praticamente feito o calendário para todo o próximo ano pastoral.

O que lhe dá mais satisfação realizar nesta missão episcopal?

Estar com as pessoas, nas paróquias, nas instituições de índole variada, nos encontros sacerdotais, onde sinto que a minha presença dá alegria, confiança e esperança, onde percebo que para além da  minha pessoa os outros se apercebem d’Aquele que me envia.

E o que lhe é mais penoso?

Estar num lugar onde se tem de ir por obrigação ou para onde nos convidaram por imperativos do protocolo.

Que tipo de actividades gosta de desempenhar nos tempos livres?

Tenho alguns tempos de descanso, menos do que devia. Gosto de dar uns passeios a pé e de contactar com a terra onde nasci.

Foi nomeado pelo Papa Bento XVI e, cerca de dois anos depois, foi eleito o Papa Francisco. Sente que essa mudança também afectou o seu modo de ser Bispo?

Sem dúvida que o Papa Francisco, pelo seu discurso, mas sobretudo pelo seu modo de ser e de agir, veio inquietar-me em muitos aspetos. Ele tem a capacidade de nos fazer pensar no que somos e no que fazemos e, portanto, leva-me a pôr em causa muito do que fazia inadvertidamente. Sobretudo, ajudou-me a valorizar mais alguns aspetos, como o primado da evangelização, a disponibilidade para as pessoas, a necessidade de usar uma linguagem mais concreta e mais simples, a importância do encontro mais do que as formalidades, a simplicidade de vida…

Tendo em conta tudo isso, o que é um bispo hoje?

O bispo, enquanto chamado a ser pastor, unido sacramentalmente a Cristo Cabeça e Pastor da Igreja, é sinal visível da comunhão do Corpo Eclesial. É cristão com os outros cristãos, irmão de todos os irmãos e servo da unidade de todo o Povo de Deus. A dimensão institucional, parte integrante do exercício do ministério, deixa frequentemente na sombra a dimensão carismática, a ponto de, tanto os de dentro como os de fora, verem o bispo como a autoridade, o chefe, o juiz ou aquele que manda. Há um caminho grande a fazer para que o bispo se apresente e seja visto e acolhido como apóstolo, pastor, servo de Deus e da sua Igreja, sinal visível da presença salvífica de Cristo no meio do seu povo.

Uma última pergunta pessoal: é feliz?

Sim. Sinto-me bem. Sou feliz.

2016-07-01 virgilio4
©DR | É no contacto com as pessoas que se sente mais feliz

 

Comunicação social da Igreja

Foi director do jornal “O Mensageiro”, continuado pelo atual PRESENTE. Como encara o papel e desafios atuais dos meios de comunicação social da Igreja?

A Igreja é comunicação, é anúncio, proclamação. Tem uma mensagem para o mundo e precisa de utilizar os meios mais adequados para a levar mais longe, para dentro e para fora. A comunicação social faz parte desses meios e não podemos prescindir dela.

A nossa comunicação social centra-se demasiado nos acontecimentos, centra-se, porventura, excessivamente na informação e dá pouco lugar à evangelização por meio da leitura cristã da realidade.

A imprensa escrita está em crise e ainda não demos todos os passos necessários para uma boa utilização das possibilidades de comunicação virtual. É o grande desafio atual em matéria de comunicação.

Escreveu muitos editoriais. Como começaria o desta edição?…

Numa primeira fase, tinha dificuldade de definir o tema e o modo de comunicar; depois de alinhar as ideias, escrevia tudo de um fôlego. Escrever é para mim a melhor forma de pensar e de exprimir as ideias.

O editorial desta semana começaria assim: “Caros amigos, a vida e a pessoa do bispo são, hoje, objeto de muita discussão. Os pontos de vista são muito variados: desde o daqueles que conhecem o seu significado bíblico e eclesiológico, até ao dos que adotaram uma ideia vaga, veiculada por alguma da nossa literatura, por alguma comunicação social ou simplesmente fruto do desconhecimento… São pessoas distantes e formais? Perderam o ar hierático e sacral que antes apresentavam? A eleição do Papa Francisco e a sensibilidade moderna deram atualidade a esta questão…”

 

Ligação à Diocese de Leiria-Fátima

Sabemos que os bispos do Centro trabalham regularmente em conjunto e que mantém uma relação de especial amizade com D. António Marto, que o ordenou. Gosta de se manter informado e acompanha a vida da Diocese de Leiria-Fátima?

Procuro estar informado sobre o que se passa. Além de ser uma Igreja irmã e muito próxima da de Coimbra, há as razões do coração: foi a minha vida e a minha diocese até aos 50 anos de idade, foi o lugar da vocação e do sacerdócio por mais de 25 anos. Depois há ainda a amizade das pessoas, a gratidão…

O que gosta mais de ouvir dizer em Coimbra sobre a sua diocese de origem?

Fico muito feliz quando sei que se está a fazer caminho na fé e na comunhão, quando há iniciativas novas, dinamismo, entusiasmo. Pelo bispo D. António Marto, por meio de alguns padres e pelo jornal “Presente”, que leio semanalmente, continuo mais ou menos informado.

E que gosta menos de ouvir?

Tudo o que de negativo afeta a Diocese de Leiria-Fátima também me afeta a mim. Por ser a minha diocese de origem e por ser a Igreja de Deus.

Mantém aqui residência, na Pia do Urso, uma aldeia histórica recuperada que tem recebido vários prémios nacionais e internacionais e se converteu em pólo de atracção turística. Como olha hoje para esta “sua” aldeia natal?

Tenho parafraseado muitas vezes Miguel Torga, quando fala do rio da sua aldeia. Eu digo sempre: “A minha aldeia é a aldeia mais bonita do mundo. Porquê? Porque é a minha aldeia”. Como não olhar de uma forma única para o lugar onde nascemos, onde crescemos para a vida e para a fé, onde estão os nossos laços humanos mais profundos, a família, as recordações? Sou também a terra onde nasci e, felizmente, tenho a graça de continuar a ser dela, mesmo que de fugida.

 

Breve nota biográfica

Virgílio do Nascimento Antunes nasceu na aldeia da Pia do Urso, paróquia de São Mamede, na Diocese de Leiria-Fátima, a 22 de setembro de 1961.

Entrou no Seminário Diocesano de Leiria em 1971 e frequentou o Curso Filosófico-Teológico no Instituto de Estudos Teológicos de Coimbra, em 1978 e 1984.

Foi ordenado presbítero a 29 de setembro de 1985, passando a desempenhar funções de prefeito e professor no Seminário de Leiria e, a partir de 1988, de director do Pré-Seminário.

Entre 1992 e 1996, frequentou o Instituto Bíblico Pontifício, em Roma, onde se licenciou em Exegése Bíblica. Neste último ano, frequentou a École Biblique de Jerusalém, após o que foi nomeado reitor do Seminário de Leiria e passou a ser docente de Teologia Bíblica em diversas instituições. Entre várias outras funções eclesiais, foi director do semanário “O Mensageiro”, entre 2000 e 2005.

Em 2005, deixa a reitoria do Seminário e integra a equipa de capelães do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, onde é nomeado reitor a 15 de julho de 2008.

A 28 de abril de 2011 é nomeado pelo Papa Bento XVI para Bispo de Coimbra, sendo a ordenação episcopal a 3 de julho, presidida pelo Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima.

Entrou como bispo residencial na Diocese de Coimbra no dia 10 de julho de 2011.

 

Outras fotos: (©DR)

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P. Virgílio com o Papa João Paulo II e o Bispo D. Alberto Cosme do Amaral

2016-07-01 virgilio6
D. Virgílio com o Papa Bento XVI

2016-07-01 virgilio7
D. Virgílio com o Papa Francisco

 

Luís Miguel Ferraz
Luís Miguel Ferraz
Paróquia da Batalha. Comunidade Cristã da Golpilheira. jornaldagolpilheira.pt
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