Editorial Rede 28

Uma das qualidades mais interessantes da chamada Geração Z (nascida entre 1990 e 2010) é o seu gosto por viajar. Estes jovens se importam de largar tudo — terra, família, amigos — para irem explorar outras culturas, outros países, outros continentes. Bem, efetivamente não se pode dizer que largam tudo, pois os avanços tecnológicos e o aumento da velocidade da internet é que, na prática, permitem concretizar o gosto por esta espécie de nomadismo. É que faz toda a diferença ter bilhetes de avião mais baratos e estar o um dedo (dígito) de distância de quem mais gosta.

A Geração X — a minha — cresceu com o inter-rail. Foi o possível para dar asas ao sonho de viajar. Mesmo assim, um mês a penar por comboios, alguns de categoria duvidosa, não dá para chegar nem aos calcanhares da possibilidades da miudagem de agora. Apesar de ter a minha dose de estrangeiro, num tempo em que era obrigado ao câmbio entre escudos e marcos, resta um desabafo: quem me dera…

Serve este intróito para chegar ao que realmente nos traz aqui, hoje: a Diocese, no próximo sábado, vai celebrar o envio de mais jovens para algumas missões espalhadas pelo planeta. É uma questão de opção: enquanto muitos aproveitam o tempo estival para fazer turismo, outros usam-no para benefício de pessoas que nem conhecem, colocando no terreno a vontade e o talento de se disponibilizarem para doação abnegada de si próprios. Claro, no fim — e este é um discurso que ouvimos de quem fez a experiência — vêm com a sensação de que receberam mais do que deram. É um lugar comum, num lugar que não nos é comum, num espaço que nunca poderá ser deles, mas que os acolhe como se lhes pertencesse. É a ouvir estes relatos que também desabafo “quem me dera…”. Porque, no meu calculismo egoísta, também gostaria de experimentar por um dia a sensação de partir para ganhar, embora com a consciência de que o conseguiria se, apenas, estivesse disposto a perder. E com isto tudo, trago à memória o episódio do evangelho que a tradição diz ter ocorrido no Monte Tabor, que levou Pedro a exclamar: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias» (Lc 9, 33). 

Este envio de jovens e adultos missionários, acontece no dia em que a cátedra da nossa Diocese comemora o aniversário da sua dedicação e em que o Jorge Fernandes continua a sua escalada para outro tipo de missão, bem mais perto de nós e connosco, por ser instituído ministério do acolitado.

Paulo Adriano
Paulo Adriano
Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.
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