Editorial Rede 25

Quando os 72 discípulos foram enviados por Jesus, aos pares, sem mais nada senão a roupa que traziam vestida, as sandálias e, eventualmente, um cajado para ajudar a tornar a jornada mais ligeira, sabiam que a sua missão obrigava a largar planos e agendas, e aceitar um caminho desconhecido.

Dois mil anos depois, a vida de um padre tem ainda um pouco daquele nomadismo missionário: num dia, estão instalados mais ou menos confortavelmente numa comunidade e, no dia a seguir, são chamados a sair e começar tudo de novo, noutra paróquia ou noutro serviço. Se, por natureza, a vida do sacerdote não é fácil à luz da realidade da sociedade atual, esta mobilidade a que se sujeita regularmente, obriga àquilo a que chamamos em linguagem informática de “reset”. É um desligar para voltar a ligar, e começar tudo de novo. Desliga-se de pessoas com quem foi criando laços, desliga-se de rotinas que foi cimentando, desliga-se de espaços que foi criando à sua medida. O volta a ligar-se: a novas pessoas, a novas rotinas, a novos espaços.

Muitas pessoas não percebem estas mudanças. Sobretudo aquelas que se instalaram confortavelmente nesse fantástico sofá que é ter ao serviço da comunidade de que faz parte, um padre que se ajeita aos seus requisitos. É bom lembrá-las que, quem começou tudo isto, dizia que “todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna” (Mt 19, 29). 

Paulo Adriano
Paulo Adriano
Diretor do Gabinete de Informação e Comunicação da Diocese de Leiria-Fátima.
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