Editorial Mensageiro em Rede* 194

Editorial Mensageiro em Rede* 194

*O Mensageiro em Rede é o boletim semanal das paróquias de Monte Real e Souto da Carpalhosa.

Nua e Crua

“Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram. A mentira disse para a verdade:

– Bom dia, dona Verdade.

E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, os pássaros cantavam… Vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:

– Bom dia, dona mentira.

– Está muito calor hoje, disse a mentira.

E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou. A mentira então convidou a verdade para um banho no rio. Despiu-se das suas vestes, saltou para a água e disse:

– Venha dona Verdade, a água está uma delícia.

E, assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou as suas roupas e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora. A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua, por onde continua a andar. E aos olhos de muitas pessoas é mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.”

É parábola, uma história, que nos entra dentro e toca em todos os sentidos. Dizemos, todos, palavras doces de ouvir mas muito amargas, mais que fel; temos gestos de acolher que despidos de sua hipocrisia poderiam chegar a matar. Não é diferente na história de nossas relações com Deus: quantos atos de amor que nada mais fazem que sofrer!? Quantas promessas de conversão que não vão nunca além de palavras, embora nos deixem a ilusão de um grande amor? A verdade dói. Não nó nesse sentido com que o leitor entendeu. Dói mesmo e chega a matar. Das mentiras vestidas de verdade que saem de nossa boca e dos gestos mortais que se vestem de abraço e sorriso permanece a verdade. Mata, não aquele a quem se dirigem as palavras e os gestos, mas aqueles que as dizem e fazem. A verdade, nua e crua, anda mas não se cansa e corrói-nos o coração e a vida quando de nós sai mentira que pula e salta na alegria por ter as roupas da verdade. Assim é de uns com os outros, assim é de nós para com Deus. Portadores de verdade profunda deixamos abafar-nos nas “verdades” da mentira e morremos devagarinho, agonizantes e, muitas vezes, sem pegar a mão salvadora de Deus.

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José Lopes Baptista, P.
José Lopes Baptista, P.
Padre da diocese de Leiria-Fátima
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