Comunhão de Amor

Manhã cedo, num lindo dia de Primavera!
É uma Primavera contida, como contidos têm de ser todos os nossos movimentos, interiores e exteriores, nesta primeira fase de “desconfinamento”; assim lhe chamaram os técnicos, obrigando-nos a uma nova ginástica, para conseguir a harmonização da língua com os acidentes da vida.
De repente, assalta-me um sentimento estranho de saudade! Veio-me a tentação de pensar que o fim da pandemia, que está ainda muito longe, mas já enxameia os discursos de inúmeras pessoas; veio-me à ideia que o fim da pandemia significaria também o fim de tanta coisa bela a que nos íamos habituando, por necessidade, claro; mas também porque o bom e o belo, ou, se quisermos, o bem e a beleza, são ímanes fascinantes e incontornáveis da existência humana.
Tanta coisa bela, tanto gesto a dizer-nos que, afinal, o homem é muito mais criativo quando se trata de fazer o bem do que para produzir o mal.
E vem – me vontade de irromper em acção de garças pelo que Deus fez de nós!
Fez e quer fazer, segundo leio no trecho do Evangelho de São João que se lê neste domingo:

“Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele”.
Fecho os olhos e contemplo o Senhor, de coração nas mãos, naquela conversa íntima, sofrendo a saudade da despedida e o sofrimento dos amigos de quem Se despede: “Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.” “Pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco”.
O Pai vos “dará outro Paráclito, para estar sempre convosco”.
Efectivamente, o paráclito, do ponto de vista do significado mais profundo da palavra, da sua origem, é aquele que é chamado para junto de alguém com o fim de o defender, proteger, assistir, acompanhar, consolar.
Se procuro reler o texto também com o coração e as luzes da fé, dou-me conta que Jesus quer realizar connosco uma comunhão de Amor: o Amor com que Ele e o pai Se amam e que chega até nós pelo Espírito Santo.
Ou seja: bem vistas as coisas, através deste divino Paráclito, prolonga-se entre nós, na medida em que fazemos a vontade do Pai, a comunhão de vida da SantíssimaTrindade.
Rasgo as janelas da alma e lanço o olhar para este mundo tão recheado de dores e de amores. E sinto uma enorme alegria, porque, apesar de tudo, o clarão que se projecta destes é muito superior às sombras que brotam daquelas.
Sinto que o mundo, depois da tragédia que foi – ainda é – esta pandemia, está preparado como nunca, para essa comunidade de Amor que Jesus quer entre nós a Trindade.

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Augusto Ascenso Pascoal, P.
Augusto Ascenso Pascoal, P.
Sacerdote da Diocese de Leiria-Fátima
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