Centro de Apoio à Família: documento orientador

Centro de Apoio à Família: documento orientador

Por Decreto Episcopal de 6 de setembro de 2018, o bispo de Leiria-Fátima, Cardeal D. António Marto, criou um novo serviço no âmbito do Departamento da Pastoral da Família, a que deu o nome de CENTRO DE APOIO À FAMÍLIA, e nomeou para seu Diretor o Padre José Augusto Pereira Rodrigues.

CONTEXTUALIZAÇÃO

«A família é um grande tesouro para os esposos durante toda a sua vida e um bem insubstituível para os filhos que devem ser fruto do amor dos pais; um fundamento indispensável para a Igreja e para a sociedade e um bem necessário para os povos» (Papa Bento XVI, V Encontro mundial das famílias, Valência, 2006). 

Em 2013, o Papa Francisco descreveu com estas palavras a família dos tempos em que vivemos: “A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos. O matrimónio tende a ser visto como mera forma de gratificação afetiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um. Mas a contribuição indispensável do matrimónio à sociedade supera o nível da afetividade e o das necessidades ocasionais do casal. Como ensinam os Bispos franceses, não provém «do sentimento amoroso, efémero por definição, mas da profundidade do compromisso assumido pelos esposos que aceitam entrar numa união de vida total».” (Papa Francisco, EG 66) No mesmo documento, o Papa desafiou a Igreja a promover a «arte do acompanhamento», definindo-a como um «descalçar as sandálias diante da terra sagrada do outro» (EG 169).

A diocese de leiria-Fátima dedicou o biénio pastoral 2013-2015 à família e à pastoral familiar. Nesse contexto o bispo diocesano, D. António Marto, publicou a nota pastoral “A beleza e a alegria de viver em família”, na qual escreveu o seguinte: «A comunidade cristã deva fazer todos os esforços para ajudar os cônjuges em situações de fragilidade, de crise e rutura. A Igreja é chamada a iluminar estas situações, dum ponto de vista pastoral, na fidelidade a dois princípios evangélicos: por um lado, salvaguardando a identidade do matrimónio fiel, livre e indissolúvel que a Igreja não pode modificar; por outro, com a atitude da misericórdia de Jesus na atenção às situações concretas e diversificadas. (…) Os sacerdotes e os casais prestem especial atenção aos casais e às famílias que passam por uma fase de crise e dêem-lhes a ajuda oportuna com a delicadeza que a situação requer. As comunidades cristãs acompanhem com solicitude, apoio e respeito as famílias monoparentais, concretamente os/as viúvos/as para quem a perda do outro ser querido é “perder metade de si mesmo”. Atender e ajudar as pessoas nestes casos, nas suas necessidades materiais, afetivas e espirituais é um testemunho de caridade» (nº9).

Em 2016, em pleno Ano Jubilar da Misericórdia, o Papa Francisco ofereceu à Igreja a Exortação Apostólica “A Alegria do Amor” na qual recolhe os resultados do caminho sinodal dos anos anteriores e oferece “caminhos pastorais novos” sobre a família e a ação que a Igreja é chamada a promover neste campo. Aí se refere a necessidade de criar nas dioceses os «centros de escuta especializada» que sirvam de apoio às famílias feridas pela dor, seja ela de que tipo for. (Cf. Lineamenta do XIV Sínodo dos Bispos em 2015, nº 44-54)

Os números 232-258 da Exortação Apostólica acima referida descrevem as situações de crise mais frequentes no percurso de uma vida de família e apresenta-as como desafios ao seu crescimento. «A história duma família está marcada por crises de todo o género, que são parte também da sua dramática beleza. É preciso ajudar a descobrir que uma crise superada não leva a uma relação menos intensa, mas a melhorar, sedimentar e maturar o vinho da união. Não se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa. Cada crise implica uma aprendizagem, que permite incrementar a intensidade da vida comum ou, pelo menos, encontrar um novo sentido para a experiência matrimonial. É preciso não se resignar de modo algum a uma curva descendente, a uma inevitável deterioração, a uma mediocridade que se tem de suportar. Pelo contrário, quando se assume o matrimónio como uma tarefa que implica também superar obstáculos, cada crise é sentida como uma ocasião para chegar a beber, juntos, o vinho melhor. É bom acompanhar os cônjuges, para que sejam capazes de aceitar as crises que lhes sobrevêm, aceitar o desafio e atribuir-lhes um lugar na vida familiar. Os casais experientes e formados devem estar dispostos a acompanhar outros nesta descoberta, para que as crises não os assustem nem os levem a tomar decisões precipitadas. Cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração» (Papa Francisco, A Alegria do Amor 232).

COMPETÊNCIAS

De acordo com as competências dos serviços da Cúria Diocesana, é da responsabilidade deste novo serviço:

  1. Organizar um serviço especializado no apoio aos casais em crise, formado por técnicos de competências e áreas diversas, tanto do foro civil como eclesial;
  2. Oferecer acompanhamento oportuno às famílias em situação de fragilidade com propostas e apoios adequados às suas situações;
  3. Auxiliar a pessoa divorciada a viver em nova união ou o casal que deseja fazer o itinerário espiritual de acompanhamento e discernimento para maior integração eclesial, nos termos da nota pastoral “O Senhor está perto de quem tem o coração ferido”, do bispo diocesano, indicando, na medida em que seja solicitado, um acompanhante e dando o apoio oportuno;
  4. Organizar materiais necessários para o percurso de acompanhamento e discernimento e propor retiros espirituais para as pessoas que o estejam a fazer.

PRINCÍPIOS ORIENTADORES

O Centro de Apoio à Família regerá a sua intervenção pelos seguintes princípios:

  1. Acolhe todas as pessoas, casais ou famílias que o procurem;
  2. Respeita a intimidade e a reserva da vida privada de todos os intervenientes;
  3. Ajuda a identificar e definir a problemática apresentada;
  4. Oferece aconselhamento de curta duração nas áreas técnicas que tiver ao dispor;
  5. Encaminha, a pedido dos próprios, para acompanhamento exterior especializado, os casos que dele necessitem.
  6. Disponibiliza os seus serviços de forma gratuita, não havendo, por isso, lugar para qualquer comparticipação financeira por parte das famílias que o procuram;
  7. Convida os seus colaboradores a trabalhar em regime de voluntariado, não havendo, por isso, lugar a qualquer comparticipação financeira pelos serviços que prestam.

OBJETIVOS

O Centro de Apoio à Família procurará atingir os seguintes objetivos com a sua intervenção:

  1. Promover o bem-estar da pessoa e da família, através de uma ação integradora de todas as dimensões que a ela digam respeito;
  2. Apoiar psico-socialmente as famílias através de uma equipa multidisciplinar, com o objetivo de encontrar soluções ajustadas às suas necessidades;
  3. Promover a responsabilização das famílias na estruturação do seu percurso, através do reconhecimento das problemáticas e dos fatores de risco a elas associadas;
  4. Promover e reforçar a articulação da família com a comunidade envolvente, através da identificação de recursos disponíveis e respetivas formas de acesso;
  5. Ajudar a desenvolver competências parentais, pessoais e sociais que permitam a melhoria do desempenho das relações familiares;
  6. Ajudar a prevenir comportamentos de risco potencialmente desequilibradores do bem-estar familiar;
  7. Promover a espiritualidade familiar e a vivência dos valores cristãos no seio da família;

METODOLOGIA

A metodologia a seguir será a seguinte:

  1. O contacto com o Centro de Apoio à Família faz-se pessoalmente, por telefone ou email próprios;
  2. A Direção elaborará o Plano de Apoio Familiar (PAF), para que o percurso da família dentro do Centro de Apoio à Família fique devidamente registado;
  3. O serviço de acolhimento agendará, com a maior das brevidades, um primeiro encontro presencial, para que as pessoas sejam acolhidas e escutadas com abertura e confidencialidade;
  4. Este primeiro encontro terminará com o encaminhamento para o apoio pedido;
  5. A Direção do Centro de Apoio à Família elaborará uma tabela com os horários de atendimento de cada um dos apoios, de acordo com as disponibilidades dos técnicos respetivos;
  6. O Serviço de acolhimento acompanhará todo o percurso da família, durante o tempo em que ela estiver em contacto com algum dos serviços;
  7. O termo da intervenção do Centro de Apoio à Família acontecerá quando os técnicos derem por encerrada a sua ação ou quando a família assim o decidir;
  8. O Centro de Apoio à Família desenvolverá a sua atividade no CEPADI (Centro Pastoral Diocesano), Seminário Diocesano de Leiria, em espaço reservado para a sua ação;

ESTRUTURA

A estrutura do Centro de Apoio à Família assenta em três pilares:

  1. DIREÇÃO: gestão do serviço, recrutamento e relação com os técnicos, trabalho de secretaria;
  2. ACOLHIMENTO: acolhimento das pessoas que contactam o Centro, triagem e encaminhamento para o serviço pedido, acompanhamento do caso durante o tempo em que permanecer em contacto com o Centro, encaminhamento para o exterior;
  3. SERVIÇO TÉCNICO: acompanhamento dentro da área específica

SERVIÇOS e ÂMBITOS

SERVIÇOSÂMBITOS
AcolhimentoTriagem, direcionamento e acompanhamento
Apoio PsicológicoAconselhamento psicológico individual, em casal ou em família
Grupo de auto-ajuda para pessoas em luto
Apoio à parentalidade(Re)Organização familiar
Apoio SocialAssistente social
Economia doméstica e familiar
Apoio JurídicoDireito civil e familiar
Solicitadoria
Direito canónico 
Apoio Médico Medicina geral e familiar
Enfermagem 
Acompanhamento espiritualAjuda espiritual a casal ou família
Acompanhamento a pessoa ou casal divorciado a viver em nova união
Direção Secretariado 
Diretor
GIC
GIC
Gabinete de Informação e Comunicação. Todos os contactos, informações e sugestões devem ser dirigidos para gic@leiria-fatima.pt.
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