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Dois milhares de escuteiros juntam-se nas Colmeias para celebrar o dia do fundador: A regra dos três simples

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Criado em 27-02-2019

É matemático: todos os anos, por esta altura, são às centenas que se juntam escuteiros de toda a Região de Leiria-Fátima para celebrar o aniversário seu fundador. Robert Baden-Powell — BP, para os amigos — nasceu em Londres no dia 22 de fevereiro de 1857, e é essa efeméride que se transforma num momento de festa e convívio um pouco por todo o globo.

Cá na Diocese, sob a coordenação do Agrupamento 1346 da Memória que completava 25 anos de existência, juntaram-se os restantes 33 agrupamentos da Região no passado domingo dia 24. O centro das operações foi o pavilhão desportivo das Colmeias, ali mesmo junto ao agrupamento de escolas.

À medida que os participantes iam chegando, o procedimento era simples: escuteiros para um lado, pais para outro. Tanto uns como outros teriam o seu espaço de participação durante o dia que, oficialmente, começou com a celebração eucarística presidida por D. António Marto. Uma mancha de quatro cores correspondentes a cada uma das quatro secções do escutismo, preenchia na totalidade o campo de jogos do pavilhão. Já os pais deles tinham direito a lugar sentado nas bancadas do recinto, com vista privilegiada para o que se passava lá em baixo. Bem, nem todos conseguiram sentar-se, já que a afluência era de tal forma numerosa que, fazendo contas de cabeça, seriam tantos os familiares quantos os dois milhares de escuteiros sentados lá em baixo.

Três orientações para a vida

A celebração da Missa foi o momento forte do dia. Com animação musical a condizer e cânticos próprios do movimento, o protagonista, como não podia deixar de ser, foi o Bispo diocesano. Durante a homilia, o Cardeal foi simples, direto e, por isso, não deixou por créditos alheios a atenção da assembleia. Começou com habitual saudação que o caracteriza — “amiguitos e amiguitas, é bom estar convosco como vosso irmão Bispo...” — e introduziu a três ideias mestras da sua preleção com uma pergunta: “o que é que BP pediu para fazerem?”. A resposta, já todos conheciam: “deixar o mundo um pouco melhor”.

D. António enumerou, então, três regras para, à maneira de Jesus, deixar o mundo melhor: “faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti; não pagues o mal com o mal; faz o bem desinteressadamente”. Na prática, três regras que explicitam o mandamento cristão do amor em que, de acordo com o prelado, se manifesta “o respeito pela dignidade de cada um”. D. António chamou a atenção para a violência e para qual deve ser a resposta de um cristão. “O mal só se vence com o bem”, afirmou, acrescentando que “em cada um de nós há um instinto de vingança; no entanto, não se responde à violência com violência e à injustiça com injustiça”. Também indicou os destinatários preferenciais do bem que o cristão deve fazer desinteressadamente: “aqueles que não nos podem recompensar, os mais pobres, os mais necessitados”.

No final, o Bispo convidou a assembleia a rezar uma breve oração: “ó Jesus, dá-me a graça do teu grande amor para tornar o mundo melhor”.

As 25 velas do 1346

A atribuição da organização ao Agrupamento da Memória não foi por acaso, já que aquela agremiação de escuteiros completa este ano 25 anos de existência. Os dos seus dirigentes, a Tânia Ferreira justificava este momento a uma estação de televisão: “é muito importante pelas pessoas que nós temos e pelas que já tivemos, e é uma mensagem de futuro para as pessoas que possam vir”. Acrescentou ainda que, embora o agrupamento tenha 25 anos, apenas muito recentemente foi formalizada a sua adesão e atribuído um número. No entanto, foi acompanhando sempre todas a região e envolvendo-se nas actividades propostas.

O Agrupamento da Memória tem cerca de 60 elementos e para o chefe-adjunto do Agrupamento, Paulo Felizardo, “todos os dias devemos olhar para o legado de BP e deixar o mundo um pouco melhor”. Explicou que “o Dia de BP é, por natureza, a grande festa da Região de Leiria-Fátima, é o dia em que todos os escuteiros da Região, os seus pais e dirigentes vêm para fazermos um dia de festa”. O mesmo dirigente destacou a participação dos pais por serem fundamentais para a educação dos escuteiros. “O facto deles participarem nestas actividades faz com que vivam um pouco do escutismo”, acrescenta.

A integração dos pais na actividade

Após a celebração da Missa, a separação entre os escuteiros e os seus familiares continuou. Aqueles foram a vida deles, que é como quem diz, fizeram as actividades que lhes estavam destinadas, concretizadas numa bateria de jogos que envolviam lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros. Já os pais foram convidados a participarem num “rally-paper”, tendo respondido positivamente de forma massiva. Terão sido mais de cem viaturas correspondentes a outras tantas equipas a resolver um percurso com questões originais acerca das freguesias — Colmeias e Memória — que os acolhiam. Naquela tarde de domingo, os habitantes de vários lugares estranharam as movimentações inusitadas que se verificaram em vários pontos das diversas localidades. Porém, de acordo com diversos testemunhos de participantes, os naturais foram de uma simpatia bem generosa e ajudaram os participantes a responder ao questionário entregue e a conhecer ainda melhor alguns aspectos histórico-geográficos da zona.

Um dos pais, que também é dirigente, sente que o escutismo é uma referência para os jovens. Cada vez mais, os jovens “precisam de ter quem os ajude a viver em sociedade, e o escutismo é aprender a viver em sociedade, respeitando a natureza, ajudando-se uns aos outros”. Para ele, são os pais que ajudam a manter os agrupamentos vivos e, por outro lado “há agrupamentos que têm dificuldades porque os pais deixaram de participar”.

 

Vítor Henriques, chefe do Agrupamento 1346: Eu até já tinha pedido dispensa das funções

No final da Missa foram atribuídas condecorações a dois membros da família escutista: o António Cardoso, que faz parte da Fraternidade de Nuno Álvares e tem-se destacado pela disponibilidade e serviço ao longo de muitos anos, e Vítor Henriques, que é o chefe do Agrupamento da Memória que também fundou. Foi com o Vítor que estivémos à conversa e que, no meio de uma agenda preenchidíssima por ter de fazer o rescaldo das comemorações, se disponibilizou ainda para dar o seu testemunho.

Que avaliação faz do dia de BP?

O Dia de BP foi mais uma demonstração de vitalidade do CNE. Estiveram representados praticamente todos os 34 Agrupamentos da Região. São manifestações desta natureza que nos encorajam e revigoram forças porque nos provam que não estamos sós. Há muitos outros que comungam dos nossos princípios. Para nós este foi um Dia de BP especial. Deu-nos a oportunidade de nos avaliarmos e de pôr à prova as nossas capacidades. Penso que passámos com distinção. Os nossos dirigentes conseguiram contagiar os seus elementos e fazê-los sentir a responsabilidade de fazer um bom trabalho. Os nossos pais foram inexcedíveis na entrega às suas funções. Constituiram-se equipas que se encarregaram das diversas tarefas: a cozinha e os almoços, a preparação do pavilhão, as desmontagens, os bares, a limpeza dos espaços… Os dirigentes ficaram com a logística das inscrições, o grupo coral e o encerramento, as compras e a coordenação geral.

Há 25 anos atrás, aquando da fundação do agrupamento da Memória, sonhava com este dia?

A gente quando põe mãos à obra, numa empresa desta natureza, é sempre dar um tiro no escuro. O meu sonho e dos que me acompanharam era dar uma ocupação diferente aos mais novos. Tratava-se de mexer com a rapaziada e trazê-los um pouco mais para a Igreja.

E como foi fundar um agrupamento? O que o inspirou? quais as maiores dificuldades?

As coisas até nem correram mal. O pároco deu-nos carta branca. Nem se opôs nem nos entusiasmou. Eu já tinha estado à frente de um grupo de teatro a trabalhar com jovens, durante quatro anos, cá na nossa terra.  Nessa altura ainda havia alguma gente nova e as solicitações, na aldeia, não eram muitas. Depois foi havendo renovação e formámos um grupo de jovens ligado à Igreja. Teve o seu tempo de vida e acabou. Foi então que propus a dois dos jovens do grupo fazerem o CIP comigo. Depois foi chamar os miúdos. Fizemos três patrulhas e começámos a trabalhar. Eu, quando era adolescente tinha tido contactos com o escutismo mas estava longe de saber o papel de um dirigente. O facto de profissionalmente trabalhar com crianças ajudou. A integração foi-se fazendo e fomos caminhando, falando com outros escuteiros e participando nas actividades regionais. O grande problema era não termos um espaço para nós. Reuníamos nuns anexos e partilhávamos os locais de encontro com a catequese e com um bar. O número de chefes foi sempre reduzido. Por isso mesmo, estivemos em formação durante dezassete anos. E só legalizámos a nossa situação há pouco tempo. Daí o nosso número tão elevado ao lado de Agrupamentos mais novos. Só temos salas só para nós há quatro anos. Outra dificuldade é estarmos numa terra pequena, com poucas crianças e poucos habitantes. Fomos freguesia apenas em 1985 e paróquia em 1993 (fez também agora 25 anos). Os nossos elementos vêm sobretudo de paróquias vizinhas, das Colmeias principalmente. Por isso, este dia de BP ficou aqui bem.

Que significa para si a condecoração recebida no Dia de BP diante me mais de 2000 escuteiros?

Esta condecoração foi uma partida dos meus dirigentes. Eu fui apanhado de surpresa. Eles sabem que eu não sou  favorável a estes destaques por dá cá aquela palha. Nunca fiz nada de extraordinário, não fiz nada sozinho. Recebi-a como prémio dado ao Agrupamento e fiz questão de a dedicar aos meus chefes, aos atuais mas também àqueles que estiveram connosco no passado e ultrapassaram os tempos mais difíceis. Hoje somos mais de dez dirigentes, mas durante muito tempo éramos apenas três. Cheguei a acumular duas secções. Ser reconhecido publicamente traz-nos outras responsabilidades. Eu até já tinha pedido dispensa das funções de Chefe de Agrupamento, mas os outros entendem que eu tenho mais vagar para ir a reuniões e fazer outras coisas (a vida de um reformado tem algumas vantagens). Vou ter que continuar enquanto eles entenderem que a minha presença pode ser útil.

Assumir a organização do Dia de BP foi um ponto de chegada, uma meta? E agora, quais são os planos, quer pessoais, no envolvimento com o agrupamento, quer do próprio agrupamento?

Organizar o Dia de BP foi um desafio que eu lancei à minha gente, mas estava um longe de ter a consciência do que esta tarefa implica. É muito trabalho. Mas, graças a Deus, penso que estivemos à altura do desafio. Uma grande vantagem foi termos como dirigente um elemento da Junta Regional que já tinha a experiência do ano passado. Temos também dirigentes ligados à Proteção Civil e outros que têm contactos com os  departamentos regionais. Se formos bem a ver, eu sou dos que menos estou por dentro das grandes actividades. Tivemos pais envolvidos, unidos e corajosos. Contámos com o apoio da autarquia, do Agrupamento de escolas de Colmeias e de empresas e associações das Colmeias. O futuro que nos espera penso não ser diferente do que têm sido os últimos anos. Ficámos com mais conhecimentos, mais experiência, Mas vamos continuar a ter bandos, patrulhas e equipas com um número reduzido de elementos, vamos continuar a ter alguns dirigentes com pouca disponibilidade de tempo. Para mim, pessoalmente, tentarei estar presente para apoiar os meus dirigentes; fazer os recados, marcar reuniões, chamar a atenção para alguns pormenores, ouvir a opinião de todos e gerar consensos. Já não tenho elasticidade mental para potenciar imaginários que se coadunem com as nossas crianças e os nossos jovens. Não consigo pensar em abandonar esta equipa, esta família. Este dia de BP uniu-nos mais ainda.

O escutismo, na sua vida é…

...uma forma de estar ativo na Igreja e de dar a mão a quem precisa, na busca dos ideais que BP nos propôs. É mais uma forma de me realizar, de me sentir útil enquanto cidadão e enquanto cristão. Fico feliz quando penso que, com o escutismo, ajudámos a formar centenas de crianças e jovens. Fico feliz quando, passados anos, alguns que passaram por aqui se chegam junto a mim e confidenciam que o escutismo lhes deu ferramentas para serem mais pessoas.

E a minha vida no escutismo é…

...um contributo para que o mundo possa ser cada dia um pouco melhor. Sinto-me um irmão mais velho que pode contribuir com o seu conhecimento da vida e aproveitar as vontades e iniciativas, a energia e o vigor dos mais novos.

 

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