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37 - Os edifícios do Seminário Diocesano de Leiria

Categoria: Notícias
Criado em 04-07-2018

O Concílio de Trento (1545-1563) determinou a instituição de seminários em ordem à formação intelectual, humana, espiritual e pastoral dos futuros sacerdotes. Por todo o mundo, as dioceses foram correspondendo a esta indicação conciliar, conforme as respectivas possibilidades, sendo o primeiro Seminário de Leiria criado apenas em 1674, pelo bispo D. Pedro Vieira da Silva.

Edificado nas imediações da igreja e convento de Santo Agostinho, o bispo confiou sua docência e direcção a estes religiosos, estando aberto a candidatos ao sacerdócio e a outros alunos de Leiria e seu termo, pelo que se considera a primeira escola secundária da cidade. Ali leccionaram até 1834, ano em que foram expulsos, na consequência da extinção das ordens religiosas decretada por Joaquim António de Aguiar.

O edifício tem estilo setecentista europeu, com soluções arquitectónicas maneiristas, sendo o portal de alvenaria já do século XVIII. Na verga da porta principal, encimada pelas armas episcopais do seu fundador, lê-se esta inscrição: “Pedro, enquanto viveu, não consentiu que se pusesse aqui este brasão; se lhe fosse permitido, sairia, ainda hoje, do túmulo [para o retirar]”.

Com o terremoto de 1755, o seminário sofreu graves danos e encontrava-se em lamentável estado de ruínas ainda em 1793. Após algumas beneficiações, voltou a funcionamento, até que, em 1808, foi desventrado e reduzido a escombros pelas invasões francesas. Mas o zelo apostólico e a vontade indómita de D. Manuel de Aguiar restaurou-o, ampliou-o e dotou-o de estatutos próprios, reabrindo em 1812, com o próprio bispo a fixar aí a sua residência até à sua morte (1815). Voltou a encerrar em 1834, por imposição política, e a reabrir, em 1850, por ordem do bispo D. Manuel José da Costa.

Na sequência da extinção da Diocese, o Seminário de Leiria passou a funcionar como sucursal do de Coimbra, vindo a fechar portas definitivamente em 1911, quando o Estado republicado tomou posse do edifício e o destinou a internato dos alunos do liceu, dois anos depois a sede do Regimento de Infantaria 7 e, em 1969, a receber o Distrito de Reserva e Mobilização, até 1996. Actualmente está em estado de abandono.

Após a restauração da Diocese, em 1918, o padre Joaquim José Carvalho, o último ex-aluno a ser ordenado antes da extinção e o último vice-reitor do antigo Seminário, diligenciou para o regresso dos sete seminaristas leirienses a estudar em Coimbra, destinando a sua própria casa, na Quinta da Bela Vista, para os acolher – um deles era João Pereira Venâncio, que viria a ser bispo de Leiria. Pode dizer-se que foi o primeiro edifício do Seminário da Diocese restaurada, curiosamente, na mesma quinta em que viria a ser construído o actual seminário.

Mas a casa do padre Carvalho não possuía amplitude e adequadas condições de habitabilidade e, no início do ano lectivo de 1919-1920, foram instalados oito seminaristas num edifício arrendado, situado junto da Fonte Freire, no Largo do Terreiro. Também esta residência era inadequada ao fim a que se destinava e os 23 alunos que entraram no ano de 1920-1921, alguns deles regressados dos seminários de Santarém e de Coimbra, foram ocupar uma outra casa também arrendada, ali perto, onde se instalara o primeiro bispo da Diocese restaurada, D. José Alves Correia da Silva, quando entrou na Diocese, em Agosto de 1920.

Na impossibilidade de se lançar na aventura da construção de um novo edifício, este bispo optou pela compra de uma outra casa de habitação, em 1922, situada na rua Marcos Portugal, com os seus anexos, cómodos e quintal, destinada principalmente aos alunos do Seminário Maior, dotando-a progressivamente de razoáveis instalações.

No ano seguinte, foram promulgados os novos estatutos do Seminário Episcopal de Nossa Senhora da Conceição, nos quais se compendia o que se pode considerar como fundamental para a sua organização, administração e vida quotidiana dos alunos. No mesmo ano, os terrenos anexos a este edifício, progressiva, faseada e morosamente foram enriquecidos com a construção de pavilhões novos para o funcionamento do Seminário Menor, integrando capela, sala de estudo, duas camaratas, laboratório e biblioteca, obras que se prolongaram por cerca de dez anos.

Mas também este edifício se revelou insuficiente para responder às necessidades de espaço e, em 1951, D. José Alves Correia da Silva instituiu o Seminário Menor da Cova da Iria, destinado a acolher e formar os 30 alunos do 1.º e 2.º anos do Ciclo Preparatório, instalado num edifício próximo do Santuário de Fátima.

Nas décadas de 1950 e de 1960, em Portugal e em outros países da Europa, acentuou-se um desusado aumento de vocações ao sacerdócio. Este fenómeno trouxe novos problemas no tocante ao alojamento desses muitos candidatos, pelo que, em 1955, o bispo anunciava à Diocese o plano de construção de um novo Seminário Menor, em Fátima. Foi nomeada uma comissão para concretizar o projecto e chegou a anunciar-se a bênção da primeira pedra… mas o projecto não avançou até à morte de D. José, em 1957.

O novo bispo, D. João Pereira Venâncio, tomou posse no final de 1958 e desde cedo alimentou o sonho da construção de um novo edifício para o Seminário Diocesano. No contexto da difusão da Mensagem de Fátima, que promovia por todo o mundo, conquistou o apoio de algumas dioceses alemãs, onde se constituiu um grupo intitulado “Amigos de Fátima”, que viria a contribuir substancialmente para suportar as despesas da construção e equipamentos desse futuro Seminário de Leiria.

Imprevista e finalmente, a imprensa local fez-se eco do lançamento e bênção da primeira pedra, em Junho de 1962, não em Fátima mas em Leiria, na Quinta da Bela Vista. A comissão executiva anunciava, por essa altura, a abertura pública do concurso para a arrematação da obra, com a base de licitação de dezanove mil contos, que viria a ser ganho pela empresa “Grave e Minas, Lda.”, por 18.895.375 escudos, com a condição de ser concluída no espaço máximo de três anos.

Este novo edifício começou a funcionar no ano lectivo de 1965/1966, com a frequência de 174 alunos, estando ainda em fase de conclusão. A sua inauguração solene veio a efectivar-se no dia 10 de Junho de 1968, integrada no programa das comemorações do 50.º aniversário da restauração da Diocese, que incluiu a sagração litúrgica da sua igreja e sessão solene realizada no novo e amplo ginásio.

Posteriormente, o edifício da rua Marcos Portugal foi alienado à Junta Distrital de Leiria e viria a ser demolido para a instalação do actual Arquivo Distrital de Leiria.

Quanto ao actual edifício do Seminário, é um dos mais notáveis da cidade do Lis e, à data, um dos melhores do país. Numa área coberta de 19.700 m2, tinha capacidade para receber 250 alunos, com áreas próprias e comuns ao Seminário Maior e Menor, quartos individuais, camaratas, salas de estudo e de aula, oratórios, refeitórios, recreios interiores e exteriores, igreja com órgão de tubos, ginásio, aula magna, museu, instalações para as irmãs da congregação religiosa responsável dos serviços, enfermaria, bibliotecas, salas de jogos e de convívio, salas de visitas, campos de futebol, cozinha moderna, lavandaria, rouparia, etc.

O brasão de armas episcopais de D. João, que foi entronizado na fachada, no dia 8 de Dezembro de 1989, compendia a grandeza da sua alma. Nele germina uma flor, o lírio, a Senhora da Conceição, acolhido entre as asas da águia, o apóstolo João. No listel orante que envolve asas e lírio, o último testamento do nosso Deus: “Eis a tua Mãe”.

P. Américo Ferreira


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