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35 - O Padre José Carreira e a história do Clero da Diocese

Categoria: Notícias
Criado em 04-07-2018
O Pe. José Carreira com um grupo de jovens, na escadaria de acesso à igreja das Cortes (finais dos anos 50)

O Pe. José Carreira nasceu no lugar do Outeiro, Quintas do Sirol, então ainda freguesia dos Pousos, em 8 de Junho de 1912. Entrou no seminário nos finais de 1926 e foi ordenado sacerdote em 13 de Março de 1937. Depois de passar por várias paróquias, foi nomeado pároco de Mira de Aire em Janeiro de 1950.

Sete anos depois, entrou na paróquia das Cortes – oficialmente a 6 de Janeiro de 1957 – em substituição do Pe. Francisco Jorge, então Pároco da Barreira e, a título provisório, das Cortes, especialmente a partir do falecimento do Pe. António dos Santos Alves, que se dera a 19-5-1956. É o próprio Pe. José Carreira que escreve na página 308 de um livro seu: «Aos 6-1-1957, como recompensa (que lhe saiu cara) [foi] nomeado Prior das Cortes. Aqui celebrou a última vez, para os fiéis, no domingo, 6-2-1966.»

Com a ajuda de Manuel Poças das Neves, o Pe. José Carreira fundou em Mira de Aire um pequeno boletim paroquial, “Voz de Mira de Aire”, a breve trecho transformado em mensário e que ainda resiste.

Simples e bondoso, deixou obra de vulto naquela vila serrana, onde o chamado “Bairro dos Pobres”, de par com a reconstrução da capela de São Silvestre, no Covão da Carvalha, do Cruzeiro no Cabeço do Olho e da residência paroquial, foram frutos da sua vontade de pôr de pé os seus sonhos.

Na paróquia das Cortes haveria de servir nove anos. Uma obra de vulto deste homem foi igualmente a construção, de raiz, da Casa Paroquial. A outra foi a fundação de um mensário a que deu o sugestivo título de “Águas do Lis”. O seu n.º 1 saiu em Fevereiro de 1963. De quatro páginas, em tamanho A4, durou 16 meses, saindo o último número em Maio de 1964. Para além de ser um meio de ligação entre os conterrâneos residentes e emigrantes, o jornalinho tinha também por missão dar conta do andamento das obras da Casa Paroquial e apelar à generosidade dos paroquianos.

Foi forçado a sair da paróquia de forma pouco elegante. Viviam-se então tempos difíceis e o Pároco estava um pouco adiantado para o ritmo rural da sua paróquia. As despesas com a Casa Paroquial, a duração efémera do jornalinho e o seu carácter firme, de par com a rigidez eclesiástica, não casavam com o tipo de pessoas caciqueiras dominantes, de tendência tradicionalista e conservadora. As coisas complicaram-se e uns quantos deitaram-lhe, injustamente, as culpas todas para cima.

2018-07-01 100 35aA verdade é que a Paróquia perdeu um Pároco muito metódico, que apontava tudo com inexcedível exactidão. Era um homem íntegro e um investigador nato. Praticamente todos os livros do Cartório Paroquial estão anotados por si com informações preciosas. Encontrávamo-lo com frequência, alguns anos depois, na velha Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Leiria onde prosseguia as suas investigações, e estivemos na sua casa, no lugar do Outeiro, Quintas do Sirol (hoje freguesia de Santa Eufémia), pouco antes da sua morte, onde nos deu conta da evolução da sua obra de sempre – a relação de “O Clero da Diocese de Leiria e o seu passado”. Desenvolveu inúmeras diligências no sentido de obter algum apoio para a edição desta sua obra, mas foram todas infrutíferas. Há algum tempo encontrámos no Arquivo Distrital de Leiria várias cartas suas dirigidas à Assembleia Distrital, pedindo, às vezes de forma pungente, que acedessem a dar-lhe apoio. Em vão. Acabou por falecer em 1983, tristíssimo por não ver publicado um trabalho a que dedicou boa parte da sua vida.

“O Clero da Diocese de Leiria e o seu passado” foi finalmente editado em Agosto de 1984, ao que sabemos a expensas da paróquia de Santa Eufémia. É um livro de 604 páginas, repleto de informações preciosas e incontornável para quem tiver que estudar a Diocese de Leiria. O prefácio é da autoria de Monsenhor Joaquim Carreira, com data de Roma, 8 de Setembro de 1981 (viria a falecer três meses depois, a 7-12-1981, também em Roma). Tem naturalmente alguns lapsos e lacunas, mas isso não lhe retira a indiscutível importância que reveste. O empenho e o trabalho deste homem acrescentaram a Diocese de Leiria.

Carlos Fernandes

 


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