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32 - A integração dos arciprestados de Ourém e de Porto de Mós no Patriarcado de Lisboa, em 1882

Categoria: Notícias
Criado em 19-04-2018

A 2 de outubro de 1882, D. António José de Freitas Honorato, arcebispo titular de Mitilene e auxiliar do Patriarcado de Lisboa, dirigiu-se ao arcipreste de Porto de Mós, em nome do Reverendíssimo Cardeal Patriarca, D. Inácio Morais Cardoso, comunicando-lhe assumir a jurisdição da parte do bispado de Leiria anexada ao Patriarcado na sequência da bula de Leão XIII, de 1881.

Por essa mudança na jurisdição eclesiástica em terras leirienses, o arcipreste de Porto de Mós passou a deter o título de vigário da vara. Idêntica missiva foi enviada ao arcipreste de Ourém. Passavam, assim, para a jurisdição dos Patriarcas de Lisboa, as paróquias de Alcaria, Aljubarrota (Nossa Senhora dos Prazeres), Aljubarrota (S. Vicente), Alpedriz, Alvados, Alqueidão, Arrimal, Batalha, Espite, Fátima, Freixeanda, Juncal, Mendiga, Minde, Mira, Olival, Ourém, Pataias, Porto de Mós (S. João), Porto de Mós (S. Pedro), Reguengo do Fetal, Rio de Couros, Seiça, Serro Ventoso e Vila Nova de Ourém.

2018-04-18 100 32 CardosoA saúde muito debilitada do Cardeal Patriarca, D. Inácio (imagem ao lado), não lhe permitiu visitar estas 25 paróquias transferidas de Leiria para Lisboa. Faleceria, aliás, pouco tempo depois da supressão da Diocese de Leiria, a 23 de novembro de 1883. Também o seu bispo auxiliar D. António Honorato (imagem no topo) não realizou visitação às igrejas portomosenses e oureenses. Este prelado, de qualquer modo, conhecia bem o assunto, porquanto representara o Cardeal Patriarca na reunião dos bispos com o ministro dos Negócios Eclesiásticos que, em 1880, votou favoravelmente a reforma administrativa das dioceses portuguesas com prejuízo para Leiria e ganhos para Lisboa.

Com o beneplácito régio, D. António José de Freitas Honorato (1820-1898) veio a ser premiado, pouco depois, com a mitra do Arcebispado de Braga, no qual se viu confirmado a 9 de agosto de 1883. D. António Honorato recebeu a ordenação sacerdotal em 1843. A 25 de julho de 1873 foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, obtendo, na mesma data, o título de arcebispo de Mitilene. A sua ordenação episcopal decorreria a 5 de outubro seguinte, tendo sido consagrante principal o Patriarca de Lisboa, D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso, assistido pelos co-consagrantes D. José Luís Alves Feijó, bispo de Bragança e Miranda, e D. Manuel Correia de Bastos Pina, bispo de Coimbra. Faleceu em Braga, no dia 28 de dezembro de 1898.

Refira-se que D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso (1811-1883), cardeal-presbítero dos Santos Nereo e Aquileo, foi bispo de Faro (1863-1871). Participou no Concílio do Vaticano I (1869-1870), vindo a ser nomeado patriarca de Lisboa, em 1871, e criado cardeal no Consistório de 22 de dezembro de 1873, tendo participado no Conclave de 1878, que elegeu o Papa Leão XIII. O referido Concílio Vaticano I, anunciado pelo papa Pio IX em 1864, veio a abrir no dia 8 de dezembro de 1869, dia festivo de Nossa Senhora da Conceição, concluindo-se a 18 de dezembro de 1879.

Nele foram aprovadas as Constituições dogmáticas "Dei Filius", sobre a Fé católica, e "Pastor Aeternus", reafirmando as prerrogativas do primado do papado e a definição da infalibilidade do Papa em assuntos de fé e de moral, questões que provocaram controvérsia e oposição especialmente adentro do episcopado francês e também entre os católicos e prelados alemães, austro-húngaros e americanos, posto que, entre os episcopados português, espanhol e ibero-americanos a reação tenha sido efetivamente favorável. O Concílio aprovou, também, «doctrina catholica contra multiplices errores ex rationalismo derivatos», ou seja, contra os erros modernos derivados do Racionalismo, entre eles, as posições do Materialismo e do Ateísmo.

2018-04-18 100 32 NetoCaberia, no contexto mencionado, ao sucessor de D. Inácio Cardoso, o Patriarca D. José Sebastião de Almeida Neto (1841-1920) (imagem ao lado) – frade menor na sua origem religiosa que se viu elevado ao cardinalato pelo Papa Leão XIII, a 24 de março de 1884 –, a primeira visitação ao antigo arciprestado de Porto de Mós. Começou, aliás, por Aljubarrota, onde esteve em outubro de 1884, para, de seguida, passar à visitação da paróquia do Juncal.

Tenha-se presente que o último bispo de Leiria, antes da supressão da Diocese, D. Joaquim Pereira Ferraz, fora um prelado com «demoradas ausências» do Bispado, retirando-se dele, por motivos de doença, definitivamente, em 1867, vindo a falecer em Barcelos, sua terra natal, em 27 de fevereiro de 1873. Neste ano ainda fez publicar uma Instrução Pastoral ao clero e fiéis de Leiria. Todavia, quando, em 1884, D. José Neto, cardeal patriarca, iniciou a visitação às paróquias de Porto de Mós, havia quase vinte anos, ao que parece, em que um bispo as não visitava nem nelas se administrava o Crisma.

Infelizmente não dispomos de dados que nos elucidem mais generosamente sobre esta visitação e, ainda, acerca das ações do Patriarcado em relação a Ourém e Porto de Mós neste período. Só com uma investigação histórica mais aprofundada sobre estas matérias, efetivamente, será possível elucidar a história contemporânea diocesana leiriense, para a qual a documentação que existirá nos Arquivos do Patriarcado, da própria Diocese de Leiria-Fátima, e ainda, da de Coimbra, entre outros, é fundamental.

D. José Neto resignou ao Patriarcado em novembro de 1907, retirando-se para o Convento de S. Francisco de Leiria (Portela), onde esteve até se mudar, em janeiro de 1909, para o Convento do Varatojo, acabando por sair de Portugal no contexto da Revolução Republicana de 1910. Faleceu em Villarino, perto de Sevilha, em 7 de dezembro de 1920. Foi sucedido, no Patriarcado, por D. José Mendes Belo, o cardeal executor, por determinação do Santo Padre Bento XV, da restauração da Diocese de Leiria em 1918.

Saul António Gomes


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