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25 – O Papa Leão XIII e a extinção da Diocese de Leiria (1881-1882)

Categoria: Notícias
Criado em 24-01-2018
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A conjuntura da extinção da atual diocese de Leiria-Fátima, preparada ao longo de toda a década de 1870 e consumada em 1882, coincidiu com a época do triunfo do Liberalismo, de afirmação do capitalismo e do(s) socialismo(s), e da perda do poder político e social da Igreja.

Em 1834, em Portugal, o poder político fechou todas as casas conventuais masculinas e deu prazo de encerramento às comunidades femininas, interferindo na administração das dioceses e da vida paroquial e nacionalizando, pouco depois, bens de colegiadas e de outras instituições religiosas.

O antigo ministro Costa Cabral, feito Marquês de Tomar, embaixador de Portugal junto da Santa Sé, aquando da eleição do Papa Leão XIII, em 1878, diligenciou oportuna e eficazmente pela anuência da Cúria romana aos interesses do governo de Portugal de redução do número das dioceses, contra o parecer, aliás, dos bispos portugueses cuja capacidade de ação pastoral e de reforma nas suas próprias dioceses era muito diminuta. Dioceses em vacância, como sucedia ao tempo com Leiria, só com a autorização e o reconhecimento do Estado português poderiam voltar a ter novo bispo, o que, todavia, o governo de Portugal, desde 1869, não permitia, com exceção dos bispados de Angra, Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Porto, Lisboa e Viseu.

A 30 de abril de 1881, os cardeais aprovaram, em Roma, a reforma das circunscrições diocesanas portuguesas, com a eliminação de cinco delas, recebendo a necessária aprovação papal a 1 de julho desse ano. A 30 de setembro de 1881, ordenava-se à Dataria Apostólica a redação da constituição «Gravissimum Christi Ecclesiam», que extinguia as dioceses de Aveiro, Castelo Branco, Elvas, Leiria e Pinhel e, ainda, as prelazias do Crato e de Tomar. A execução desta decisão pontifícia foi confiada ao Cardeal D. Américo Ferreira dos Santos Silva, bispo do Porto, para o que se obteve o beneplácito régio, assinado a 6 de dezembro de 1881. A bula de Leão XIII, extinguindo estas dioceses, foi executada a 4 de setembro de 1882, recebendo o beneplácito do rei D. Luís I a 14 seguinte.

Vivia-se o tempo da secularização do Estado e da afirmação do laicismo no ensino, na cultura e na vida social, obrigando os católicos a reagir através da instituição de novas formas e práticas de vida religiosa e de experiência mística, de piedade e de devoção laicais, de santificação, assim como de intervenção e missão evangélica na sociedade, nomeadamente pela fundação de instituições assistenciais e educativas e de formação profissional, assim como de trabalho social e pastoral, no mundo rural e no mundo urbano, na metrópole e nos espaços ultramarinos, junto das franjas sociais mais pobres, maltratadas, excluídas ou desfavorecidas. A vida dos religiosos consagrados associou-se, desde então, ao trabalho em hospitais, leprosarias, recolhimentos e casas de acolhimento, colégios e instituições de ensino, externatos e internatos, em pensionatos e noutros lugares de trabalho e de missão.

O papa Leão XIII, de seu nome Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci-Prosperi-Buzzi, nasceu a 2 de março de 1810. Foi eleito papa em 20 de fevereiro de 1878 e coroado a 3 de março seguinte, tendo sucedido ao papa Pio IX. Faleceu no dia 20 de julho de 1903, depois de 25 anos de pontificado e com 93 anos de idade. Recebeu a ordenação episcopal em 1843, sendo nomeado arcebispo de Perugia, em 1846, e criado cardeal em 1853.

Filho de uma Itália renovada, do Pós-Rissorgimento, Leão XIII comungou das preocupações do seu tempo, assinando várias encíclicas de teor social, mormente a Rerum novarum, de 1891, acerca dos direitos e deveres da sociedade capitalista. O seu pontificado legou à Igreja uma visão nova da Contemporaneidade, marcada pela necessidade de uma doutrina social católica, base dos futuros corporativismos sociais e da democracia cristã.

Foi contemporânea do Papa Leão XIII a Irmã Maria do Divino Coração (1863-1899), religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, madre superiora do Convento do Bom Pastor (freguesia de Paranhos, na cidade do Porto), a qual, no contexto de revelações privadas sobrenaturais, instou, a partir de Portugal, Leão XIII a consagrar o Mundo ao Sagrado Coração de Jesus, o que sucedeu efetivamente a 11 de junho de 1899. Esta devoção propalou-se muito por toda a Cristandade, nomeadamente em Portugal e na diocese de Leiria. A Irmã Maria do Divino Coração, nascida na mais alta nobreza alemã, em Munster, veio a ser beatificada pelo Papa Paulo VI, em 1975.

Saul António Gomes

 


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