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23 – Santos Pastorinhos - Francisco Marto (1908-1919) e Jacinta Marto (1910-1920)

Categoria: Notícias
Criado em 26-12-2017

Francisco e Jacinta Marto nasceram em Fátima, no início do conturbado século XX. Os dois irmãos foram os mais novos dos sete filhos do casal Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus, habitantes da paróquia de Fátima.

Francisco nasceu em 11 de junho de 1908, na casa dos seus pais, no lugar de Aljustrel, e foi batizado no dia 20 desse mês, na igreja paroquial de Fátima. A sua irmã Jacinta Marto nasceu em 05 de março de 1910, também em casa dos pais, e foi batizada no dia 19 desse mês, na igreja paroquial.

Os irmãos não frequentaram a escola. Não sabiam ler nem escrever, e pouco sabiam do mundo que se encontrava para lá da sua serra. Receberam uma educação cristã muito simples, mas marcada pelo exemplo de vida cristã comprometida: a participação dominical na eucaristia, a oração em família, a verdade e o respeito por todos, a caridade para com os pobres e os necessitados.

Francisco era um menino pacato e pacífico, apaixonado pela contemplação da criação. Com seus companheiros era sinal de concórdia, mesmo na ofensa e na desavença. Jacinta, por seu lado, tinha um caráter carinhoso e terno, embora bastante caprichoso. Tinha um particular carinho pela prima Lúcia e uma sensibilidade muito impressiva. Ainda muito novos, começam a pastorear o rebanho de seus pais: tinha o Francisco 8 anos de idade e a Jacinta 6. Passavam grande parte dos seus dias na tarefa de acompanhar as ovelhas, juntamente com a prima Lúcia, que também era pastora.

 

Com um Anjo

Na primavera de 1916, depois de rezarem o terço, Francisco e Jacinta, na companhia da prima Lúcia, avistaram um Anjo cheio de luz. Foram arrebatados pela contemplação daquela luz imensa e imersos numa atmosfera intensa em que a força da presença de Deus os «absorvia e aniquilava quase por completo»[1]. Era o Anjo da Paz, que os visitaria por três vezes, na primavera, verão e outono de 1916[2]. Nas suas palavras e com os seus gestos, o Anjo fala-lhes do coração de Deus atento à voz dos humildes sobre quem tem «desígnios de misericórdia». Convida-os à atitude da adoração, que abre no crente horizontes de esperança e de caridade: «Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos». No último encontro, o Anjo oferece-lhes o Corpo e o Sangue de Cristo, o Dom primordial à luz do qual os videntes serão convidados a oferecer-se em sacrifício por todos os “homens ingratos”. A vida de Francisco e Jacinta conhece ali a sua vocação: encher de Deus os olhos e o coração e tornar-se espelho dessa presença cuidadora, oferecendo as suas vidas como dom pelos demais.

 

Com a Senhora do Rosário

Em 13 de maio de 1917, encontrando-se as três crianças na Cova da Iria, foram surpreendidos pela presença de uma Senhora mais brilhante que o sol que lhes disse ser do Céu. A Senhora pediu-lhes que voltassem à Cova da Iria seis meses seguidos, em cada dia 13, que, na aparição final, lhes revelaria quem era e o que queria. Entretanto, convocou os pastorinhos a oferecerem a sua vida inteiramente a Deus. Os três videntes acolheram o convite da Senhora e viram a sua disponibilidade ser confirmada por uma luz imensa que as mãos da Virgem ofereciam e que penetrou o seu íntimo, fazendo-os ver a si mesmos «nessa luz que era Deus»[3].

Depressa se espalhou a notícia da presença da Senhora do Rosário e o número de curiosos e peregrinos que afluíam à Cova da Iria aumentava a cada mês. Para Francisco e Jacinta, as constantes solicitações, os intermináveis e extenuantes interrogatórios e as acusações de fraude ou de avidez foram fonte de grande sofrimento. Viveram este sacrifício na presença de Deus, tudo relativizando diante do amor de Deus e a Deus.

Em 13 de agosto, os videntes foram visitados por Artur de Oliveira Santos, Administrador do Município de Ourém que, depois de os interrogar em Fátima e querendo a todo o custo que lhe dissessem o segredo que lhes tinha sido comunicado no mês anterior e que eles insistiam em não desvelar, colocou-os na prisão, em Ourém, até ao dia 15 de agosto.

No curso dos seis encontros, a Senhora do Rosário dá a ver aos pastorinhos a esperança que Deus oferece ao mundo tocado pelo sofrimento e pelo mal e convida-os a comprometerem-se com a conversão dos corações humanos, pela oração do rosário, pelo sacrifício reparador.

 

O compromisso com o dom

A partir daqueles encontros inauditos, Francisco e Jacinta passam a viver focados em Deus. Nada mais lhes preenche o coração. Nos seus traços de espiritualidade, Francisco e Jacinta fazem a síntese daquilo que a Igreja é continuamente chamada a ser: contemplativa e compassiva. Cada um deles assume com maior relevo a especificidade do seu chamamento.

As vidas do Francisco e da Jacinta transformaram-se, portanto,  definitivamente à luz da Mensagem de Misericórdia. O Francisco assume uma vida de contemplação, comprometido com a consolação de Deus que lhe parece estar «tão triste». A Senhora recomendara que ele rezasse muitos terços. E muito rezará o Francisco, procurando a solidão do monte ou a companhia do Jesus escondido no sacrário da Igreja paroquial para «pensar em Deus».

A Jacinta deixa-se impressionar pelo sofrimento dos pecadores e reza e sacrifica-se pela sua conversão, pela paz no mundo, e pelo Santo Padre: «Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para reparar o Coração Imaculado de Maria, e também pelo Santo Padre», confidenciou a Lúcia, na sua doença. E, pouco antes de morrer, dizia: «No Céu vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria».

 

Doença e morte

Foram breves as vidas dos dois irmãos Marto. No final do ano de 1918, Francisco e Jacinta são tomados pela epidemia bronco-pneumónica.

Doente desde 18 de outubro de 1918, Francisco recebe o sacramento da reconciliação em 2 de abril de 1919 e o viático no dia seguinte. Falece, em sua casa, pelas 22 horas do dia 4 de abril. Tinha 10 anos.

A mais nova das três crianças de Fátima adoecera, tal como o seu irmão, no outono de 1918. Esteve internada no Hospital de Vila Nova de Ourém de 1 de julho a 31 de agosto de 1919, e foi novamente internada, no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, em 2 de fevereiro de 1920, onde foi operada a 10 de fevereiro e acabou por falecer, com 9 anos, a 20 de fevereiro de 1920.

 

Fama de santidade

Tendo em conta a fama de santidade de Francisco e de Jacinta, D. José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria, abre, em 30 de abril de 1952, os Processos Informativos Diocesanos sobre a fama de santidade e virtudes.

Os processos decorrerão até 1979, encerrando o de Jacinta em 2 de julho e o de Francisco em 1 de agosto. Em 13 de maio de 1989, S. João Paulo II decreta a heroicidade das virtudes de Francisco. O mesmo faz para sua irmã Jacinta. Os decretos das virtudes dos irmãos Marto, e a consequente concessão do título de veneráveis, representam um momento verdadeiramente significativo para a História da Igreja, abrindo assim o precedente para que a santidade das crianças seja reconhecida.[4]

Em 28 de junho de 1999, S. João Paulo II promulga o decreto sobre o milagre da cura de Emília Santos, obtido através da intercessão do Francisco e da Jacinta, beatificando os dois videntes de Fátima em 13 de maio de 2000. A celebração litúrgica da memória destes dois irmãos ficou estabelecida para o dia 20 de fevereiro.

Em 23 de março de 2017, o Papa Francisco promulga o decreto sobre o milagre da cura de Lucas Maeda de Oliveira, canonizando os Pastorinhos, em 13 de maio de 2017, em Fátima. Tornaram-se os mais jovens santos da história da Igreja.

Irª Ângela de Fátima Coelho, Aliança de Santa Maria

 


[1]Memórias da Irmã Lúcia. Vol. I, p. 171.
[2] Na Segunda e Quarta Memórias de Lúcia, redigidas respetivamente em 1937 e 1941, Lúcia deixa o registo mais completo das aparições do Anjo, por três vezes, na primavera, verão e outono, aos três pastores de Fátima, Jacinta, Francisco e a própria Lúcia. O Anjo, que se apresenta como Anjo da Paz e ainda como Anjo de Portugal, convida-os a uma vida comprometida com os «desígnios de misericórdia» de Deus. Cf. Memórias da Irmã Lúcia. Vol. I, pp. 77-79; 169-171.
[3]Memórias da Irmã Lúcia. Vol. I, p. 174.

[4] Parte deste debate teológico encontra-se publicado em Osservatore Romano, 10 de abril de 1981.

 


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