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3 - P. Júlio Pereira Roque (1876-1928) – Um lutador pela restauração

Categoria: Notícias
Criado em 18-10-2017

Nascido em Alqueidão da Serra, a 7 de maio de 1876, o padre Júlio Pereira Roque, que assinava os seus escritos como Jupero, veio a falecer a 18 de Outubro de 1928. Morreu novo; 52 anos; talvez incompreendido de alguns, mas com uma grande alegria na alma.

Pode dizer-se que, por serviço de Deus, das almas e da Igreja, o que mais o apaixonou foi a restauração da nossa diocese. Fora extinta em 30 de setembro de 1881. Logo em 1885 começou a reação por parte de um homem leigo, um benemérito que a História não pode esquecer – Vitorino da Silva Araújo. Este, porém, não era da têmpera rija de Jupero.

Recomeça a campanha em 1903. E, de então por diante, não pára, não descansa, não desanima, não depõe as armas.

Atacado, escarnecido, desacompanhado, Jupero forma com o clero de Porto de Mós um pequeno grupo. Vêm novas adesões de freguesias vizinhas. Depois, é o clero da vigararia de Leiria, a princípio um pouco hesitante, para não desgostar o Senhor Bispo de Coimbra. A arma de que se serve é a pena, ora em cartas particulares, ora sobretudo na imprensa, “O Portomosense”, de que é assíduo colaborador. Fui ler os seus artigos para o conhecer melhor. Vi nele um homem possuído por uma ideia, que o domina, o comanda, o conduz. Bate sempre as mesmas teclas; insiste, repete quase num estilo matraqueador de moderno mentalizador marxista. E tanto bate, tanto bate que arrasta os outros. É um chefe. Leiria vibra e deixa-se arrastar. Monárquicos e republicanos, padres e leigos, católicos e indiferentes, o comércio, as famílias mais representativas da terra, todos se dão as mãos. Não faltam os operários, os artistas, como então se dizia. O teatro D. Maria Pia enche-se para uma grande assembleia em que toma parte a melhor gente da terra. Porto de Mós vai agradecer.

El-rei recebe uma luzida comissão. Há promessas que se esvaem. Jupero insiste, a imprensa diária e regional alinha com “O Portomosense”. Desde os grandes diários como a Palavra, do Porto, o Século, o Diário de Notícias, o Correio da Noite, o Correio da Tarde, o Diário Ilustrado, a Época, a Nação, o Correio Nacional, até aos mais afastados jornais da Província e as mais categorizadas revistas como a Revista Católica, os Ecos de Roma e a Voz de Santo António, é um coro unânime de aplausos, de aprovações, de apoios a Jupero.

De repente, apaga-se a luz. Suspende-se a campanha em novembro de 1904. Aparentemente e na imprensa, apenas.

1913. Nove anos vão passados; debaixo das cinzas havia brasas vivas. As exéquias por alma do Senhor Bispo-Conde, na Sé de Leiria, dão ensejo a uma reunião do Clero. E a campanha recomeça com novo vigor. Jupero escreve, agora em “O Mensageiro”, nascido a 7 de outubro de 1914 e no qual o seu fundador, editor e proprietário, o Senhor Cónego Lacerda, o convida a colaborar. Jupero responde às objeções, torna pública a carta e a maneira de sentir do Senhor Bispo-Conde e a representação solenemente entregue a Sua Majestade.

A pequenina faúlha, atiçada em Porto de Mós pelo Padre Júlio Pereira Roque e em três períodos por ele mantida, surte efeito. Jupero vê os seus esforços coroados de êxito. Triunfa.

O bispado de Leiria, em má hora extinto, sem razão, ressuscita. Leiria, diocese, assemelha-se aos estados tampões, como a Bélgica e a Polónia. De vez em quando, os grandes atiram-se a ela, com fúria leonina e instinto de chacais. (...)

Que alegria imensa não terá enchido a alma, a transbordar naquele dia glorioso de 5 de agosto de 1920, quando a Diocese esteve em Leiria para receber o bispo mandado por Deus! (...)

Jupero recebera uma missão da Providência: lutar pela restauração da diocese. E cumpriu com galhardia. Agora podia recolher-se com a missão cumprida. Não sei como o mundo o tratou. O Senhor chamou-o a Si. Oito anos depois entregava a alma a Deus. Mas deixava em testamento a gente da sua terra e a nós todos, o exemplo dum homem que soube lutar por um ideal nobre, num combate sem quartel. E seguiu-o até à vitória final.

José Galamba de Oliveira (Excerto da oração laudatória de 1970,
em Alqueidão da Serra; transcrição feita pelo Padre Américo Ferreira)

 

 


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