Redescobrir e acolher os dons de Deus

Categoria: Homilias/Mensagens
Criado em 23-02-2017

Mensagem do Bispo Diocesano para a Quaresma de 2017

 

Redescobrir e acolher os dons de Deus

† António Marto

Leiria, 23 de fevereiro de 2017

Refª: CE2017B-002

No próximo dia um de março, Quarta-feira de Cinzas, começa o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduz à grande celebração da Ressurreição do Senhor Jesus, mistério central da nossa fé. É um tempo forte de graça oferecida por Deus à sua Igreja e de conversão em cada um de nós e na comunidade cristã. Todos temos necessidade de nos aperfeiçoar, de melhorar e progredir na nossa vivência cristã, mediante maior aproximação a Deus, mais confiante adesão ao evangelho e maior abertura de coração aos irmãos.

O Santo Padre Francisco escreveu uma mensagem para a Quaresma de 2017 sob o título “A Palavra é dom. O outro é dom”. Convida-nos a meditar a conhecida parábola evangélica do pobre Lázaro e do rico avarento (cf. Lc 16, 19-31). Neste texto, o evangelho de S. Lucas leva-nos a refletir sobre as nossas relações com Deus e com os outros, particularmente com os que sofrem qualquer espécie de pobreza. É na reflexão do Santo Padre que me inspiro para esta mensagem, procurando concretizá-la. 

Reconhecer o outro como dom e partilhar

“A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo” – é a primeira afirmação fundamental do Papa ao debruçar-se sobre a personagem do pobre Lázaro, símbolo de todo o homem necessitado, ferido, humilhado, ignorado, descartado.

O pobre Lázaro tem uma mensagem para nós: “O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido... Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor”.

Em relação ao próximo corremos o risco de nos fecharmos, de não o vermos, tal como o rico da parábola, por avareza do dinheiro, pelo comodismo, pela vaidade ou soberba. Quais os obstáculos que fecham as portas do nosso coração ao irmão necessitado? Não está presente hoje uma certa cultura da indiferença (que me importa o outro?) e do descarte face àqueles que não nos são úteis? Dois exemplos, apenas: as mulheres grávidas que lutam com graves dificuldades para acolherem o seu filho sofrendo a tentação de interromper a sua gravidez; os refugiados que fogem da guerra e da miséria à busca de pão e trabalho, de liberdade e dignidade e que não são acolhidos como deveriam ser.

Na Quaresma somos chamados a abrir o nosso coração aos irmãos necessitados através de ações concretas. Vai ser apresentado publicamente o Serviço de Apoio à Maternidade em Dificuldade, no âmbito da Cáritas diocesana: façamos chegar essa informação às mulheres grávidas que necessitem de ajuda para acolherem e educarem o seu filho.  

Outro sinal específico é a chamada renúncia quaresmal. A colecta desta renúncia na nossa diocese será canalizada, através da Caritas nacional, para a ajuda aos refugiados na Grécia ou noutros países, onde vivem em condições de miséria.

Redescobrir o dom da Palavra de Deus

“A Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo”, é outra afirmação do Papa como linha vetor da caminhada quaresmal.

Se o primeiro dom é a presença do outro, o segundo é a entrega da Palavra do Senhor. De facto, a raiz dos males do rico avarento é não dar ouvidos à Palavra de Deus: “isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo... Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”. 

A Palavra de Deus permite-nos olhar os outros com o olhar de Cristo e com as entranhas de misericórdia do Pai. Mas é também força viva e eficaz que suscita a transformação do coração e o orienta de novo para Deus. Corremos o risco de nos habituar a uma sociedade que pretende viver sem Deus e já “não tem ouvido para a música de Deus” (Max Weber).  Oxalá “o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, para sermos purificados do pecado que nos cega”.

Para este efeito temos à disposição o retiro popular sob o lema “Eu nunca te deixarei”. É uma série de seis catequeses orantes sobre o acontecimento de Fátima para meditar aspetos da mensagem de Fátima enquanto eco do Evangelho para nós hoje. Peço encarecidamente a todas as comunidades o melhor empenho na organização desta caminhada espiritual.

Também a iniciativa ”24 horas para o Senhor”, que tem suscitado uma adesão considerável, a realizar nos dias 24 e 25 de março, é uma oportunidade de escuta orante da Palavra num momento intenso de oração e adoração. É aconselhável que aí também seja oferecida oportunidade para o sacramento do perdão e da reconciliação.

Esta ação deverá ser bem preparada para que tenha qualidade e envolvência de grupos e movimentos das comunidades e haja o cuidado de a divulgar amplamente na população para atrair mais pessoas para o encontro com o Senhor.

Interroguemo-nos: dou espaço e tempo a Deus na minha vida de cada dia? Deixo que Ele fale ao meu coração? Celebro com alegria o dom do perdão no sacramento? Testemunho e partilho com os outros os dons de Deus?

 

“Com Maria, peregrino na esperança e na paz”

Este é o lema da peregrinação do Papa Francisco a Fátima nos dias 12 e 13 de maio, momento culminante do Centenário das Aparições de Nossa Senhora. Esta peregrinação põe em evidência como de Fátima irradia para todo o mundo uma mensagem de misericórdia, de esperança e de paz, que temos vindo a aprofundar ao longo deste ano pastoral sob o lema: “O meu Imaculado Coração conduzir-vos-á até Deus”. À mensagem respondemos em atitude de conversão do coração e da vida no itinerário quaresmal.

Queremos viver a visita do Santo Padre como um momento de graça e uma significativa experiência cristã para a Igreja em Portugal e, de modo particular, para a nossa diocese.

Desde já apelo, de todo o coração, a todos os diocesanos para que nesses dias peregrinem a Fátima para viver esta experiência ao vivo com o Papa Francisco, para o acolher com o calor do nosso afeto e para manifestar aquele amor ao Papa que é uma dimensão profunda da mensagem de Fátima e do catolicismo português.

Que Nossa Senhora de Fátima nos guie e acompanhe com a sua solicitude materna na nossa caminhada quaresmal!

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