Hora de júbilo na abertura do Ano Jubilar

Categoria: Homilias/Mensagens
Criado em 27-11-2016

Homilia da eucaristia de início do Ano Jubilar do Centenário das Aparições de Fátima e do Ano Litúrgico

 

Hora de júbilo na abertura do Ano Jubilar

† António Marto

Basílica da Santíssima Trindade, Fátima, 27 de novembro de 2016

Refª: CE2016B-013

“Vamos com alegria para a casa do Senhor” - o refrão do salmo exprime bem a atitude com que hoje convergimos em peregrinação a esta basílica para celebrar o início do ano litúrgico e o início do Ano Jubilar centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Um abre-nos a porta santa do Advento; o outro, o pórtico do Jubileu, a lembrar a porta santa dos peregrinos. Dois acontecimentos que se iluminam e enriquecem mutuamente e são para nós motivo de particular alegria e júbilo. Deixemo-nos guiar pela Palavra de Deus proclamada para compreendermos a atualidade do Advento e da Mensagem da Senhora nos tempos modernos.

É Hora de despertar!

O tempo do Advento é bem mais que a simples espera e preparação do dia do Natal. Por sua vez, o Natal cristão não se reduz à recordação romântica de um acontecimento longínquo do passado como é o nascimento do menino Jesus. O Advento introduz-nos no coração do mistério cristão: a vinda de Deus à nossa vida, o mistério grande e fascinante de Deus connosco! É tempo de alegria porque Deus vem ao nosso encontro.

Um célebre teólogo escreveu: “A doença do nosso século é o esquecimento do Advento de Deus” (J. B. Metz), isto é, a perda do sentido, da beleza e da esperança que contém o mistério da Incarnação, o qual nos revela: “Deus é Aquele que vem” e entra na nossa história, assumindo a nossa carne, para fazer connosco uma história de salvação e não de perdição.

Por isso, a palavra chave, a palavra de ordem do primeiro domingo do Advento é: vigiai, despertai do sono, para não deixar afogar a vida na banalidade dos dias como nos tempos de Noé. Também hoje podemos viver adormecidos, distraídos, anestesiados pelo “ramram” do dia a dia: comemos, bebemos, trabalhamos, jogamos, casamos, fazemos a nossa vida de família, mas a nossa atenção reduz-se a este horizonte estreito. Ficam de fora, na penumbra ou excluídas, outras realidades tão preciosas e belas: a fé em Deus, o amor de Deus em nós, a vida espiritual, os valores morais. É hora de despertar!

Foi esta advertência que Nossa Senhora fez ecoar aqui em Fátima, com uma urgência impressionante, para a humanidade que esquecera Deus, que vivia de costas voltadas para Ele e caminhava para a catástrofe da guerra e da destruição. “Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do céu a nossa bendita Mãe oferecendo-se para transplantar no coração de quantos se lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu” (Bento XVI). Ela oferece-nos o seu coração e o seu olhar para contemplarmos e saborearmos a ternura e a misericórdia de Deus que põe limite à força destruidora do mal.

Também hoje nos chama a uma vigilância interior, a despertar da indiferença, a voltarmo-nos para Deus, a abrir o nosso coração ao seu amor e a descobrir os sinais da sua vinda ao nosso mundo. Com Deus ou sem Ele a nossa vida e a vida do mundo serão diferentes!

 

Caminhar para o reino da Justiça e da Paz: o horizonte da esperança

Outra palavra de ordem do Advento é “caminhemos à luz do Senhor” que se aplica também ao Ano Jubilar. O profeta Isaías oferece-nos um olhar de esperança sobre o sentido da história. Convida-nos a redescobrir a beleza de estarmos todos a caminho: o Povo de Deus com a sua vocação e missão, a humanidade inteira, os povos, as culturas, todos a caminho através do tempo. É a imagem de uma peregrinação universal para uma meta comum, como uma subida ao monte do Senhor, ao templo de Deus, onde surge a revelação do seu rosto e onde se escuta a sua lei, a sua Palavra como farol que irradia luz de orientação para toda a humanidade.

À sua luz todos os povos podem caminhar para o Reino da justiça e da paz. Escutai bem o que diz o profeta: “Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem aprenderão mais a arte da guerra”.

Este caminho nunca está concluído. Há sempre necessidade de recomeçar, de se erguer de novo, de reencontrar e reavivar o sentido da meta, de renovar sempre o horizonte comum para o qual caminhamos, de transformar os instrumentos de guerra e de morte em instrumentos de progresso, de paz e de vida. É o horizonte da esperança que nos chama a fazer um bom caminho.

O Advento restitui-nos este horizonte da esperança que não desilude porque Deus é fiel. Nossa Senhora veio a Fátima trazer e confirmar esta esperança firme de paz. É impressionante o seu apelo à oração e ao empenho pela paz e pela defesa da dignidade dos oprimidos e dos inocentes, vítimas de guerras e genocídios sem precedentes na história. Poderíamos resumir a mensagem no apelo feito na terceira aparição: “Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz”.

Apelo a mudar de atitude de vida: a conversão

Por fim, a terceira indicação do advento é um apelo a mudar de atitude de vida e a revestir-se das armas da luz, apelo a um rearmamento espiritual e moral das consciências para viver a paz de Deus, a paz do coração, a paz com os outros: “Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes..., mas revesti-vos de Jesus Cristo”.

A este propósito, Santo Agostinho confidencia-nos como um dia, na sua inquietação interior, ouviu uma voz que lhe disse “toma e lê”. Abriu a bíblia e leu precisamente esta página. E a seguir confessa: “Não quis ler mais, nem fazia falta. De facto, mal terminei a leitura desta frase, uma luz penetrou no meu coração e todas as trevas da dúvida se dissiparam”.

Começou assim o seu despertar, a sua passagem das trevas à luz, a sua conversão como início de uma vida nova em Cristo. Foi este apelo à conversão que Nossa Senhora fez em Fátima quando pedia penitência. O milagre mais importante de Fátima não é propriamente a “dança do sol” na última aparição, mas antes a conversão do coração e da vida de tanta gente, que aqui acontece sem dar nas vistas, e daqui alastra para o mundo inteiro. A este milagre podemos chamar também a “dança da conversão” ao ritmo da música de Deus que ressoa no Magnificat da Virgem e enche de alegria o coração e a vida inteira de quem encontra Jesus Cristo através de Maria.

Vivamos, pois, o Ano Jubilar com a alegria e a esperança do Advento, como “tempo favorável” de ação de graças pelo dom da visita e da mensagem da Senhora e pelas graças recebidas; de experiência da ternura e da misericórdia de Deus; de devoção terna ao Imaculado Coração de Maria; de conversão e de compromisso com Deus e a favor dos outros e da paz no mundo, a exemplo dos Pastorinhos.

Façamos do Magnificat o cântico do Povo de Deus peregrino e de todos os homens e mulheres que esperam em Deus e no poder da sua misericórdia. A passagem pelo Pórtico do Jubileu seja o sinal exterior de que entramos em peregrinação interior e queremos deixar-nos guiar pela Virgem Santa que é mãe e sabe como conduzir-nos até Deus. Deixemo-nos, pois, guiar por Ela neste tempo de perturbação e de esperança!

Nossa Senhora do Advento, Senhora da nossa esperança, acompanha-nos e guia-nos no caminho do Ano Jubilar para que acolhamos, com o coração aberto de par em par, os dons que nos vieste trazer e correspondamos aos apelos que aqui nos deixaste. Ámen!

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